Créditos: IA/Divulgação
13-08-2026 às 11h37
Daniela Rodrigues Machado Vilela*
Dias ruins fazem parte da vida e o mau humor, às vezes, se instala. Desta feita, maldiz o sujeito a própria existência, com isto, se contaminam todos ao redor, remoem-se coisas desagradáveis que aconteceram ou podem acontecer. A vida é assim: há dias bons e outros nem tanto. É preciso aprender a lidar bem com a imprevisibilidade, compreender a dor, pois os desencantamentos e percalços são constituintes da existência humana.
Ter bom humor para lidar com as imperfeiçoes diárias é terapêutico. O riso, por exemplo, salva e alivia as dores. É necessário alargar a compaixão e enxergar as coisas com desprendimento e tranquilidade. Não vale a pena perder a leveza por pequenas chateações. Ranhetices são desnecessárias, não adianta brigar com todos ao redor ou com o universo, praguejar ou lamentar. Viver é aceitar e conviver com o imperfeito e, em certa medida, jogar-se em busca de oportunidades.
A condição humana é limitadora, o sofrimento é inerente. É preciso equilibrar as variáveis, tudo é tênue, frágil e fugaz. Viver é estar numa corda bamba diariamente e praguejar e reclamar é inócuo.
Na vida as aflições e dores passam, igualmente, as alegrias. Nada é fixo, permanente, tudo constantemente se modifica num movimento pendular, ora para o bem, ora para o mal. Entender a transitoriedade retira o foco da reclamação e do descontentamento e direciona o sujeito para a alegria de estar vivo.
Reclamações sem fim, praguejar, se queixar faz com que pessoas se afastem, pois indivíduos em estado constante de insatisfação são figuras sisudas, pesadas, desagradáveis. É sempre tempo de treinar a tolerância, de olhar para tudo e todos com humanidade. Reduzir a carga de exigências é elemento fulcral, assim como compreender que imprevistos e decepções fazem parte.
A vontade do indivíduo nem sempre prevalece, frustrações propiciam aprendizados. Por outro lado, não dá para perdoar-se demais, é preciso esforço, dedicação e planejamento. Saber lidar com o imponderável também é indispensável, contornar as decepções e retirar aprendizados. É tempo de oportunizar, perceber situações e pessoas abusivas e romper. Falhar faz parte, se posicionar e lidar com o estresse cotidiano é indispensável.
Cultivar bons sentimentos, rir de si, respirar fundo diante de situações caóticas, controlar-se e manter boas relações. Sempre é tempo de alargar os patamares de tolerância, gentileza e doçura. O ser humano é imperfeito e a vida também, por isto é necessário leveza.
Para cultivar relações humanas melhores é elemento essencial lidar com a instabilidade, com o turbilhão de decepções e a falta de confiança. Fé também ajuda a superar obstáculos à medida em que estimula o sujeito a acreditar no futuro e crer que conseguirá enfrentar os percalços, riscos e quedas. Mas não basta acreditar, é necessário adicionar um plano de ação.
A vida é repleta de arestas e situações inesperadas. O ideal não é real. Tudo que é perfeito demais não é deste mundo. Para aqueles que acham este texto simples, tentem materializar na própria vida este ideal de leveza, ao realizarem esta tentativa, perceberão que teorizar é fácil e, de outro lado, aplicar é custoso.
A insatisfação e a preocupação excessiva comprometem o florescer de dias mais leves, calmos e equilibrados. Tente direcionar uma palavra amiga e de consolo para os que estão em desespero. Não há receita de nada, mas há uma linha que separa o bem do mal, veja em qual quadrante quer estar, no de pessoas que tentam ser melhores ou no de seres diminutos e egoístas.
Enfim, espalhe bondade, compaixão e amor. Tenha consigo bom humor, isto pode propiciar, quem sabe, leveza no viver. “Carpe Diem”!
*Doutora, Mestra e Especialista em Direito pela UFMG. Cursou Residência Pós-Doutoral pela UFMG / FAPEMIG. Professora Universitária, apaixonada pelo Direito, suas potencialidades e possibilidades. Diletante na arte da pintura e da vida.

