Créditos: IA/Divulgação
12-08-2026 às 10h31
Daniela Rodrigues Machado Vilela*
Às vezes, objetiva o ser humano sossego, sombra, calmaria e quietude, em outras circunstâncias, é tempo de ir à luta. Em cada momento da vida o indivíduo ajusta o que pretende segundo sua necessidade financeira, maturidade e vontade. Enfim, a cada instante se apresentam desejos, escolhas, oportunidades e decisões. Existem circunstâncias de nitidez do querer e, em outros momentos, não há esta percepção.
As díades se interconectam entre momentos ora de calma e descanso, ora de agitação e produtividade. Existem também tempos de estagnação, falta de sentido ou ânimo, quando isto ocorre é hora de recalcular a rota e recomeçar a construir.
Desenhar projetos, esboçá-los, avaliar pontos positivos e negativos, estimar o tempo necessário para conseguir realizar as tarefas e, desta feita, ajustar objetivos, possibilidades e insumos necessários, é salutar e desejável, entendendo que todo trajeto tem percalços. Para a mente e o corpo trabalharem de modo aperfeiçoado é fulcral um certo planejamento acerca do que se pretende realizar.
Para remover situações de caos e reordenar os pensamentos e ações são vantajosos atos de arrumação, que podem ser: limpar a própria casa, escritório ou mesmo o cantinho dos estudos. Ao longo destas “ordenações cotidianas”, o indivíduo para além do externo, organiza pensamentos e sentimentos.
Sempre é tempo de renovar planejamentos. Abandonar sentimentos e projetos que já não fazem mais sentido. De outro lado, é momento de abertura para novos acontecimentos. Sair das zonas de conforto, experimentar, inventar e tentar não fazer do mesmo modo. Assim, renovar os ânimos e recalibrar as energias.
Reconheça o movimento da vida, o mundo não está nem aí para você, suas dores ou circunstâncias. O mundo é caos e, eventualmente, ordenação.
Permita-se processos criativos, mas estude para dar chance para a inspiração.
Anime-se, a vida é curta demais para se dar crédito ao que não merece. Relacione-se de modo diferente, observe mais. Rompa relações insatisfatórias. Oriente-se, ressignifique, mude de rota.
Não existe vida perfeita, somos humanos, imperfeitos, falíveis e, muitas vezes, as circunstâncias são caóticas. Acalente suas dores, encare que você está envelhecendo e que a única certeza é a da finitude. Dê oportunidade para ressignificar seus sentimentos, permita-se amorosidade, vitalidade e disposição.
Assuma correr alguns riscos, confie em si próprio e invista em seu potencial. Faça cursos, viagens, mas principalmente seja humano e bom. Redimensione as prioridades e se considere como a maior delas. Isto não se trata de egoísmo ou egocentrismo, mas entender que ninguém pode amar uma outra pessoa quando não se respeita ou trata-se bem.
Esteja permeável à grande lição de que sempre é tempo de ajustar o foco e se reinventar. Um novo modo de caminhar é bem-vindo. Desacelere um pouco e perceba a paisagem no caminho, nem todos chegam ao destino inicialmente traçado, porque redesenhou-se o curso, a vida conduziu para outro lugar ou ainda é o fim da viagem.
Não se trata de acelerar, mas sim, desacelerar, sair da lógica de acumulação, consumo e desejo de realização profissional. Há ocasiões em que o mais apropriado é diminuir o ritmo, socorrer-se da exaustão, investir em uma vida, acima de tudo, criativa, reflexiva e generosa.
A sociedade pós-moderna caracteriza-se por uma constante insatisfação. Assim, o sujeito em busca de chegar lá, bater a meta, trocar de carro, subir de cargo, passa por cima de todos e de seus próprios valores. Enxergue as próprias dores e a dos outros.
Ao observar-se diálogos, percebe-se que cada um quer falar de si, ninguém ouve o outro ou se deixa tocar por suas dores. Calar e escutar, é raro. Atue no próprio cenário, mas observe o alheio. Lute para que sua vida faça sentido, seja generoso consigo e permita-se um novo olhar. Enfim, é tempo de aumentar o potencial, absorver e aprender.
*Doutora, Mestra e Especialista em Direito pela UFMG. Cursou Residência Pós-doutoral pela UFMG com financiamento público da FAPEMIG. Professora Universitária. Diletante na arte da pintura e da vida. Colunista do Jornal DM.

