Ilustração e contato - créditos: Sebastião Martins
17-04-2026 às 17h20
Sebastião Martins *
O Brasil reúne condições excepcionais para transformar resíduos sólidos urbanos em energia limpa, biocombustíveis, fertilizantes e desenvolvimento econômico regional. O principal desafio para essa transformação não reside na ausência de tecnologia ou de demanda, mas sim na estruturação eficiente das fontes de financiamento necessárias à implantação das Unidades de Recuperação Energética (UREs).
Nesse contexto, destaca-se uma alternativa concreta, juridicamente sólida e economicamente relevante: a recuperação de valores de ISS incidentes sobre serviços prestados por bancos, instituições financeiras e administradoras de cartões de crédito, tributos historicamente sub arrecadados por inúmeros municípios brasileiros, apesar da previsão expressa na Lei Complementar nº 116/2003.
Ao longo dos anos, falhas de fiscalização especializada, interpretações restritivas da legislação e concentração operacional do setor financeiro provocaram perdas significativas de receitas municipais. Tais valores, quando devidamente identificados, auditados e recuperados, podem constituir importante fonte de recursos para investimentos estruturantes, especialmente nas áreas de saneamento, resíduos sólidos e energia renovável.

Aplicação Estratégica dos Recursos Recuperados
Os créditos tributários recuperados podem ser direcionados para:
- estudos de viabilidade técnica, econômica e jurídica;
- estruturação de PPPs e concessões;
- formação de fundos garantidores;
- capitalização de SPEs ambientais;
- implantação de UREs regionais;
- modernização da gestão de resíduos urbanos;
- encerramento progressivo de lixões e redução de aterros sanitários.
Resultados Econômicos Potenciais das UREs
Com base em estudos técnicos consolidados e apresentados pela DBEST PLAN, a implantação nacional de UREs apresenta o seguinte potencial estimado:
Grandes Centros Urbanos – Modelo Incineração
- Investimento estimado: R$ 30,91 bilhões
- Potência instalada: 1,85 GW
- Empregos diretos: 77.227
Municípios Médios e Consórcios – Modelo Gaseificação
- Investimento estimado: R$ 15,88 bilhões
- Potência instalada: 1,048 GW
- Empregos diretos: 12.355
Panorama Consolidado Nacional
- Investimento total estimado: R$ 46,79 bilhões
- Potência instalada total: 2,89 GW
- Empregos diretos estimados: 89.582 postos de trabalho
Além disso, tais empreendimentos geram arrecadação recorrente para municípios, estados e União, fortalecendo o ciclo virtuoso entre investimento público, atividade econômica e sustentabilidade.
Aplicação Estratégica dos Recursos Recuperados
Os valores eventualmente recuperados pelos municípios podem ser direcionados a iniciativas estruturantes capazes de gerar retorno econômico, ambiental e social duradouro. Entre as principais destinações estratégicas, destacam-se:
- Estudos de viabilidade técnica, econômica e jurídica
Elaboração de projetos consistentes, com segurança regulatória e atratividade para investidores. - Estruturação de PPPs e concessões
Modelagem de parcerias público-privadas capazes de acelerar investimentos sem pressionar os cofres públicos. - Formação de fundos garantidores
Criação de mecanismos financeiros que reduzam riscos e facilitem a captação de recursos privados. - Capitalização de SPEs ambientais
Aporte inicial em Sociedades de Propósito Específico voltadas à implantação e operação de UREs. - Implantação de UREs regionais
Construção de unidades modernas para transformar resíduos em energia, combustíveis e fertilizantes. - Modernização da gestão de resíduos urbanos
Substituição de modelos ultrapassados por sistemas eficientes, tecnológicos e sustentáveis. ão - Encerramento progressivo de lixões e redução de aterros sanitários
Adequação ambiental dos municípios e mitigação de passivos ambientais históricos.
Obtendo Resultados Práticos
A efetiva mobilização dos recursos necessários à implantação das UREs/WTE no Brasil, com vistas ao saneamento ambiental, descarbonização atmosférica e desenvolvimento econômico e social, exige uma atuação coordenada entre agentes públicos e privados.
Resultados concretos tendem a ser alcançados mediante a convergência de esforços entre:
- setor empresarial e investidores;
- administradores de aterros sanitários;
- gestores municipais e consórcios públicos;
- Ministérios Públicos;
- órgãos de controle externo e Tribunais de Contas;
- Ministério de Minas e Energia;
- Ministério do Meio Ambiente;
- entidades técnicas e regulatórias.
Essa atuação integrada deve observar uma visão sistêmica de desenvolvimento, em conformidade com a Lei 12.305/2010 (Política Nacional de Resíduos Sólidos) e com o Novo Marco Legal do Saneamento.
Nesse sentido, a DBEST PLAN elaborou manifestação técnica dirigida a órgãos públicos estratégicos, propondo medidas concretas para destravar investimentos, ampliar a segurança jurídica e acelerar a implantação de soluções modernas de valorização energética de resíduos.
Conclusão Estratégica
A recuperação de créditos de ISS do setor financeiro representa uma das mais inteligentes alternativas para financiar parte relevante das UREs no Brasil, sem criação de novos tributos e sem aumento da carga fiscal da população.
Mais do que uma tese conceitual, essa oportunidade decorre de mais de 10 anos de estudos técnicos desenvolvidos pela DBEST PLAN e seus parceiros especializados na área tributária, com aprofundada análise jurídica, contábil e econômica sobre receitas municipais historicamente não arrecadadas.
Esse trabalho pioneiro, realizado antes mesmo da popularização das modernas ferramentas de Inteligência Artificial, ganha agora novo patamar de precisão, escala e velocidade com o apoio tecnológico de soluções avançadas como as desenvolvidas pela KnowRisk.

A integração entre a experiência acumulada da DBEST PLAN, a expertise de seus parceiros tributários e o incremento analítico proporcionado pela IA da KnowRisk amplia significativamente a capacidade de identificação de créditos, quantificação de oportunidades, priorização de ações e maximização de resultados financeiros para os municípios.
Com base na Curva de Laffer, demonstra-se porque incentivos bem desenhados aumentam arrecadação no médio prazo, atraem investimentos e reduzem risco fiscal — argumento técnico fundamental para gestores públicos e órgãos de controle.
Para melhor entender a importância dos incentivos, no livro “Lucro Verde” da DBEST PLAN são tratados os comportamentos de arrecadação tributária, investimentos e crescimento econômico utilizando-se da curva de Laffer associada às curvas de Crescimento Econômico e Investimentos Privados, conforme elucida o gráfico A, abaixo;
Gráfico A – Arrecadação, Investimentos e Crescimento econ. função da Alíquota
O gráfico apresenta como diferentes alíquotas tributárias (eixo X – variando de 0% a 100%) afetam três indicadores importantes da economia (eixo Y – índice de 0 a 100):
- Arrecadação Total
- Investimentos Privados
- Crescimento Econômico
Essas curvas ilustram um conceito muito discutido na economia: há um ponto ótimo de tributação — alto o suficiente para gerar boa arrecadação, mas não tão alto que desestimule investimentos e reduza o crescimento do país.
Em síntese, o Brasil, sem necessidade de aumento da carga tributária, dispõe hoje da combinação ideal entre conhecimento histórico, inteligência tributária especializada e tecnologia de ponta para transformar créditos esquecidos em energia, empregos, fertilizantes, biocombustíveis e desenvolvimento sustentável.
*Sebastião Carlos Martins é engenheiro, professor, pesquisador e CEO da Dbest Engenharia e Tecnologia

