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20-07-2026 às 08h27
Antônio Castilho de Souza*
Após assistir quase todos os jogos da última Eurocopa e Copa América eu, e acredito a maioria dos brasileiros, sentiu a vertiginosa queda de qualidade do futebol praticado em nosso país que, em épocas pretéritas, fazia medo em todos os seus adversários.
Se alguém, como eu, tiver a curiosidade de comparar seleções brasileiras de anos passados, digamos 20 ou 30 anos, ficará convencido de forma peremptória que estamos hoje no fundo do poço, atrás de países como Venezuela, Chile, Uruguai, Argentina e Colômbia aqui na América do Sul e de outros continentes, a saber Canadá, México e Estados Unidos, na América do Norte e de países da Europa, tais como Sérvia, Croácia, França, Inglaterra, França, Alemanha e Espanha.
Vários fatores levaram, em minha opinião e de outros fãs do esporte bretão, a esse declínio que seguramente tende a piorar, nivelando por baixo o outrora respeitado futebol pátrio se atitudes concretas e isentas de políticas nefastas não forem tomadas.
É só avaliar a pífia participação do selecionado brasileiro na Copa do Mundo prestes a se encerrar.
Entendo que o comportamento idiota e ridículo de vários jogadores brasileiros, tanto dentro do campo de jogo, como fora dele, conspira para esta situação desalentadora. Exibicionismo controverso. Pura ostentação, usando as malfadadas redes sociais, exibindo carrões, belas louras, brinquinhos e penteados diferenciados.
Não temos, efetivamente, craques como Nílton Santos, Pelé, Zico, Zito, Cerezzo, Reinaldo, Eder, Garrinha, Quarentinha, Djalma Santos, Tostão, Dirceu Lopes, Murilo Silva, Luizinho e inúmeros outros que brilharam nos estádios brasileiros e honraram o Brasil conquistando cinco copas do mundo e vários torneios continentais. Havia clara identificação e amor à camisa do clube que defendiam.
Os salários pagos hoje aos profissionais da bola são um acinte ao sofrido povo brasileiro, parte considerável dele recebendo um salário mínimo que mal dá para seu sustento. São números astronômicos que não condizem de forma alguma com o que entregam em campo.
Por outro lado, os técnicos atuais não exibem capacidade técnica e liderança para conduzir equipes visando a resultados positivos. Se vencem, tudo bem, se perdem, também. É um caos total. Não há hoje nenhum com a capacidade de Telê Santana, Fleitas Solich, Zagallo, Aymoré Moreira e João Saldanha. Hoje são em sua maioria enganadora adeptos da malfadada retranca; daí a expressiva quantidade de profissionais estrangeiros atuando aqui, principalmente portugueses, quem diria!
Um comentário que urge ser feito: a péssima qualidade gestora dos dirigentes de nosso futebol, começando pela CBF, um verdadeiro antro de incompetentes que priorizam seus interesses particulares inconfessáveis. Aprimoramento técnico e financeiro de nosso futebol ficam para um segundo ou terceiro planos. Absurdo dos absurdos!
Como pode o antigo país do futebol ter sido campeão mundial há mais de 24 anos? Foi o quinto colocado na fase classificatória para o atual Mundial. Futebol medíocre e totalmente sem o brilho de outrora.
Menção crítica se faz necessária aos comentaristas esportivos totalmente ridículos, que pululam em nossas TVs e rádios, falando coisas óbvias, criando neologismos bobos e tentando “descrever” situações de jogo claramente inverídicas e absurdas. Há felizmente algumas exceções.
Ostentam pretensa autossuficiência mas, na verdade, são autênticos boquirrotos. Ridículos, também, os ex árbitros comentaristas. Suas atuações em campo haviam sido inúmeras vezes taxadas de horríveis, parciais ou catastróficas.
Finalmente, é evidente que as torcidas não são mais aquelas de anos pretéritos. Hoje estão elitizadas graças às tais SAFs que até o presente momento não podem, definitivamente, ser consideradas soluções para o equilíbrio técnico e financeiro do futebol. Há muito mais coisas em jogo. Nem vou mencionar os marginais que fazem parte das torcidas ditas organizadas.
Perderam-se, tristemente, nas brumas do tempo, as tradicionais gerais, as arquibancadas, os estacionamentos grátis, as bebidas e petiscos baratos. Tudo que se relaciona a futebol hoje é caro e não está à altura do povo brasileiro que prefere assistir os jogos pela TV, outra máquina de fazer doido.
Réquiem para o fim de nosso futebol, outrora orgulho do povo brasileiro.
Antônio Castilho de Souza é Advogado

