Créditos: Magnific
16-09-2026 às 11h22
Alessandro Padim*
O setor de eventos de cultura e entretenimento segue gerando empregos e ampliando o consumo em 2026, mas em um ritmo mais moderado do que o observado no ano passado. Dados do Radar Econômico da Associação Brasileira dos Promotores de Eventos (ABRAPE), elaborado com base em informações do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e da Receita Federal, mostram que o core business do setor acumulou saldo de 5.090 empregos formais entre janeiro e julho deste ano. O resultado permanece positivo, mas representa uma queda de 58,4% em relação ao mesmo período de 2025, quando haviam sido criadas 12.226 vagas.
O desempenho indica uma desaceleração das contratações após os resultados mais intensos observados nos últimos anos. Entre os segmentos que compõem o núcleo da atividade, a organização de eventos continua sendo o principal vetor de crescimento, com saldo acumulado de 4.612 empregos em 2026. Em sentido contrário, recreação e lazer e atividades ligadas ao patrimônio cultural e ambiental registraram saldo negativo no período.
O core business abrange atividades como organização de eventos, atividades artísticas e culturais, espetáculos, recreação e lazer e produção e promoção de eventos esportivos.
Mercado de trabalho A desaceleração também pode ser observada no hub setorial, formado por atividades relacionadas à hospedagem, alimentação, publicidade, infraestrutura para eventos, segurança privada e serviços gerais. Entre janeiro e julho, esse conjunto acumulou 81.891 empregos formais, resultado 22,4% inferior ao registrado no mesmo período de 2025, quando o saldo havia alcançado 105.506 postos de trabalho.
Apesar da redução no ritmo das contratações, o mercado de trabalho permanece em trajetória de expansão. O setor de eventos contabilizou 209.034 empregos formais em julho, enquanto o hub setorial alcançou 4,37 milhões de trabalhadores com carteira assinada.
Consumo Enquanto o mercado de trabalho apresenta crescimento mais moderado, os indicadores de consumo continuam avançando. A estimativa da ABRAPE para as atividades de recreação alcançou R$ 89,9 bilhões entre janeiro e julho de 2026, resultado 7,8% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior e o maior valor da série histórica para os sete primeiros meses do ano. Somente em julho, a movimentação estimada chegou a R$ 12,7 bilhões.
A projeção é calculada pela entidade com base no peso do item Recreação no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado pelo IBGE, combinado à massa de rendimento real dos trabalhadores medida pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua).
Segundo o empresário Doreni Caramori Júnior, presidente da ABRAPE, os números retratam um cenário de continuidade da demanda, acompanhado por maior cautela nas contratações. “Os dados mostram que o consumo ligado ao lazer, entretenimento e eventos continua crescendo em todo o país. Por outro lado, o mercado de trabalho já não apresenta o mesmo ritmo de expansão observado nos últimos anos, quando o PERSE (Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos) estava em vigor, protegendo e impulsionando o segmento mais afetado pela pandemia”, salienta
Ele acrescente: “É um cenário que combina demanda aquecida com um comportamento mais cauteloso por parte das empresas, o que exige atenção para as condições que influenciam investimento, geração de empregos e competitividade do setor.”
O Radar pode ser acessado neste link.
Sobre a ABRAPE
Criada em 1992 com o propósito de promover o desenvolvimento e a valorização das empresas produtoras e promotoras de eventos culturais e de entretenimento no Brasil, a Associação Brasileira dos Promotores de Eventos – ABRAPE, tem, atualmente, mais de 850 associados, sediados em todos os Estados da Federação, que representam o PIB dos eventos do Brasil. Foi a entidade que liderou o setor na pandemia, protagonizando a criação e a manutenção do Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos PERSE: o maior programa de transação fiscal da história do Brasil e o principal Programa de desoneração fiscal após do Simples Nacional. Com importante representatividade, é referência em associativismo de classe.

