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16-09-2026 às 08h46
Ricardo Baeta*
Ganhar ou perder faz parte do futebol. Faz parte da vida de qualquer clube. O que é inaceitável, porém, é a atitude apresentada pelo elenco do Cruzeiro Esporte Clube.
O que estamos vendo é um aglomerado de jogadores sem alma, sem vontade e, em muitos momentos, com espírito perdedor.
Nosso querido Pedrinho BH investiu, acreditou, fez obras na Toca da Raposa, estruturou o clube e proporcionou aos jogadores condições que poucos elencos tiveram. Tratamento do bom e do melhor. Mas fica a pergunta: será que esses jogadores estão respeitando a instituição e, principalmente, a torcida do Cruzeiro?
A mesma torcida que acreditou no projeto. Em praticamente todos os jogos do Cruzeiro no Mineirão, o que mais se ouvia era: “Tem ingresso?”. E a resposta era quase sempre a mesma: esgotado.
Uma torcida apaixonada, que apoia, viaja, organiza caravanas, compra ingresso, paga sócio, compra produtos oficiais e coloca dinheiro dentro do clube. Uma torcida que esteve presente nos momentos mais difíceis da nossa história e que nunca deixou de acreditar.
Mas, em troca, o que recebemos em campo? Partidas pífias. Falta de vibração. Falta de alma. Falta de entrega. Falta de identificação com quem está na arquibancada. Falta, sobretudo, a cara do Cruzeiro.
Nós já vimos este clube virar jogos improváveis. Já vimos jogadores escreverem páginas gloriosas na nossa história. Já abraçamos o time quando tudo parecia perdido. A torcida nunca deixou de ser Cruzeiro. O problema é que, atualmente, muitas vezes não enxergamos essa mesma paixão dentro de campo.
O torcedor faz a sua parte. O sócio paga. O estádio lota. A camisa é comprada. A viagem é feita. O apoio vem de todos os lados. E o mínimo que se espera é que quem veste o Manto Celeste tenha a mesma disposição para lutar por ele.
O treinador, é verdade, melhorou o time em determinados momentos do Campeonato Brasileiro. Isso precisa ser reconhecido. Mas também é impossível ignorar decisões equivocadas, principalmente nos momentos decisivos, quando uma escolha errada pode mudar completamente o destino de uma partida.
Agora, o que nos resta é lutar pela vaga na Libertadores. E, sinceramente, até isso parece estar indo por água abaixo.
O jogo contra o Santos deixou uma impressão muito preocupante sobre o que podemos esperar do restante da temporada. A Toca da Raposa, que deveria ser sinônimo de trabalho, cobrança, concentração e competitividade, em alguns momentos parece ter se transformado em um resort.
Jogadores caríssimos, folha salarial nas alturas e, dentro de campo, atitude zero.
As saídas de Kaiki e Christian realmente abalaram o elenco. Mas precisamos entender que o Cruzeiro também precisa vender para se manter saudável financeiramente.
Isso é negociável com o torcedor. O que não é negociável é a entrega.
Se um jogador sai, quem entra precisa, no mínimo, entender o tamanho de sua responsabilidade.
Quem veste a camisa do Cruzeiro precisa honrar um Manto Celeste que carrega décadas de glórias, conquistas e histórias construídas por jogadores que entenderam o que significava representar este Gigante.
Não estou aqui cobrando que o Cruzeiro ganhe todos os jogos. Estou cobrando que lute em todos eles.
Estou cobrando respeito.
Respeito por quem lota o Mineirão. Por quem acompanha o clube de longe. Por quem viaja milhares de quilômetros. Por quem paga o sócio. Por quem compra a camisa. Por quem sofre, comemora, chora e acredita.
Que os jogadores entendam: vestir o Manto Celeste não é apenas exercer uma profissão. É carregar a história de um clube e o sentimento de milhões de torcedores.
Não pedimos privilégios, pedimos apensas que honrem nossa camisa e nossa história.
Fica aqui o meu desabafo como comentarista, mas, acima de tudo, como Cruzeirense.
*Ricardo Baeta é Contador

