Marinha do Brasil prepara mulheres de vários países para missão de paz - créditos: Marinha do Brasil
14-08-2026 às 10h40
Direto da Redação
Cinquenta e quatro mulheres podem ter a garra e a competência testadas depois do Curso de Operações de Paz oferecido pela Marinha do Brasil (MB), em sua 16ª edição, curso esse que começou no dia 10 deste agosto e termina hoje, 14, com um saldo bastante positivo.
São 54 mulheres representantes de 20 países, tais como: Bahamas, Bangladesh, Benin, Botsuana, Brasil, Colômbia, Costa do Marfim, Equador, Estados Unidos, Guiana, Guiné, Honduras, México, Moçambique, Paraguai, Peru, Senegal, Tailândia, Trinidad e Tobago e Vietnã.
Desse número expressivo, 31 são brasileiras, 13 militares da Marinha do Brasil e 18 civis de instituições de ensino superior; e 23 são estrangeiras.
Os trabalhos são realizados no Centro de Operações de Paz e Humanitárias de Caráter Naval (COpPazNav), no Rio de Janeiro (RJ), com atividades teóricas e práticas, como registrou o jornalista da MB, Marcelo Barros, com o fito de preparar as participantes para a atuação em missões da Organização das Nações Unidas (ONU).
A capacitação culmina nesta sexta-feira (14) com um breve exercício de campo, uma simulação prática em escala reduzida, na qual as alunas aplicarão todo o conhecimento tático, humanitário e de negociação absorvido durante a semana. O curso será oficialmente encerrado com a cerimônia de conclusão.
O grande destaque, como disse a Primeiro-Sargento Pawitra Meesonthi, das Forças Armadas Reais da Tailândia, “é a preparação para atuar em missões da ONU, muito importante porque quando algum país precisar das Nações Unidas, principalmente para auxílio a mulheres e crianças, que são o grupo mais vulnerável, poderemos ajudá-los com todo o conhecimento que adquirimos aqui”..
O Almirante de Esquadra (Fuzileiro Naval) Carlos Chagas Vianna Braga, Comandante-Geral do Corpo de Fuzileiros Navais, na abertura ministrou a aula inaugural dando destaque à participação de representantes de diferentes países nesta edição.
Ele disse que “celebrar os 26 anos da agenda Mulheres, Paz e Segurança é reconhecer que o impacto dos conflitos é diferente para elas. O Plano Nacional de Ação do Brasil nos motivou a criar este curso em 2018 e temos muito orgulho de ver que os resultados vieram rápido, com ex-alunas sendo internacionalmente premiadas pela ONU. Hoje, alcançar essa integração com 20 países reafirma a contribuição do Corpo de Fuzileiros Navais e da Marinha do Brasil para a segurança global.”
Por sua vez, a embaixadora Maria Luiza Ribeiro Lopes da Silva, Diretora-Adjunta da Agência Brasileira de Cooperação (ABC) abordou a experiência brasileira em operações de manutenção da paz e a cooperação internacional. Ela fez questão de destacar a importância do intercâmbio de experiências entre os países participantes.
“Essa iniciativa é motivo de muito orgulho para nós, pois nos permite compartilhar nossa experiência em operações de manutenção da paz com todas vocês. O Brasil faz fronteira com dez países e nossos limites foram decididos pacificamente. Nós podemos e iremos solucionar nossos problemas através de negociações, não importa o tempo que leve, e é essa forte tradição de diplomacia e cooperação que estamos felizes em dividir aqui”.
Resumidamente, as participantes do curso tiveram palestras virtuais sobre a agenda “Mulheres, Paz e Segurança” (WPS), ministrada por Renata Giannini, e sobre o papel dos civis em operações de manutenção da paz, com Eduarda Hamann, da Rede Brasileira sobre Operações de Paz (REBRAPAZ).
Tiveram estudo relacionado a casos e realidades operacionais, quando absorveram as lições aprendidas em missões reais. Iniciaram com a avaliação da Capacidade de Gênero na Missão Multidimensional Integrada das Nações Unidas para a Estabilização da República Centro-Africana (MINUSCA). Debateram sobre os desafios encontrados por observadoras militares na Missão para o Referendo no Saara Ocidental (MINURSO).
A primeira atividade de campo aconteceu no dia 12, nas Instalações de Treinamento de Combate Urbano. Lá, vivenciaram o que se dá numa operação em ambientes hostis. Depois palestra sobre o papel da Junta Interamericana de Defesa (JID) na agenda WPS, seguida de uma apresentação sobre as lições aprendidas na Força Interina das Nações Unidas no Líbano (UNIFIL).
Nesta quinta-feira (13) elas tiveram atividades relacionadas à violência sexual e violência sexual relacionada a conflitos (CRSV) no âmbito da MINUSCA, e apresentação da Conselheira Militar de Gênero da missão, com experiências da participação brasileira na Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti (MINUSTAH).
Outro ponto a destacar é que em meio às brasileiras há estudantes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), da Universidade Federal Fluminense (UFF), do Ibmec, da Estácio, da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) e das Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU), além de representantes da Escola de Guerra Naval (EGN).
A aluna do curso de Relações Internacionais da UFF, Ana Beatriz Silva, comentou já ter participado de curso baseado nessa temática, “de defesa e segurança, mas nunca um curso de uma semana como esse, que agrega tanto conhecimento”.
Depois deste, ela tem “mais noção do que é uma operação de paz em países que estão em guerra, lugares vulneráveis”. Teve a oportunidade de aprender que “nosso foco principal é trazer mais dignidade para as pessoas que são mais afetadas nesses conflitos”.

