Evento que dará maior atenção para os recursos hídricos do interior do Brasil - créditos: Marinha do Brasil
19-07-2026 às 11h48
Direto da Redação
Transformar o potencial dos rios brasileiros em desenvolvimento sustentável, econômico, ambiental e social. Este é um resumo de todo o empenho da Marinha do Brasil (MB) ao realizar o “I Fórum das Águas Interiores”, dia 28 próximo, no Clube Naval de Brasília, o que poderá resultar no uso das “estradas” hídricas, que aí sempre estiveram e agora são vistas como a solução para o transporte de cargas e de passageiros – as bacias dos rios são como as veias do corpo do ser humano vivo.
São 60 mil quilômetros de rios de norte a sul do Brasil, que já há muito tempo deveriam estar em uso com intensidade, o que evitaria o assoreamento de muitos e a exploração nociva também. Mas, de conformidade com a expressão “antes tarde do que mais tarde”, ainda é tempo para fazer isso acontecer e à MB cabe a tarefa, porque ela deve estar sempre presente onde existir águas, tanto no mar, nos rios, nas represas por todos os cantos da terra chamada Brasil.

Quem faz o convite para a realização do fórum é o diretor-geral de Navegação Almirante de Esquadra Sílvio Luís dos Santos e o diretor presidente do Cluster Naval das Águas Interiores do Brasil, Almirante de Esquadra (RM1), Flávio Augusto Viana Rocha. Eles convidam para as palestras como “A importância da Economia dos Rios” e “Inovação e Tecnologia na Economia dos Rios”.
O arquiteto e urbanista carioca Sérgio Bernardes pode senão superar, pelos menos se igualar aos maiores navegantes de outrora por ter vislumbrado, em 1970, por meio do seu Laboratório de Investigações Conceituais (LIC), o “Projeto Brasil”, homem visionário que é.
Meio século antes, ele já defendia a criação de uma rede de “hidrovias” para conectar as bacias hidrográficas brasileiras, principalmente os sistemas da Amazônia e da Bacia Platina. Se isso já tivesse sido feito, estabilizaria o regime de secas e cheias do país.
Bernardes enxergava essa integração como uma solução para o transporte de cargas e de passageiros, mas também como “o pilar estrutural para o desenvolvimento de uma “primeira civilização tropical”. Além, claro, da necessidade de assegurar a acessibilidade e a preservação de toda a bacia hidrográfica brasileira.
Pode até parecer incrível, mas o País com uma solução dessa, na mão, como se diz, optou pelo meio de transporte rodoviário ao prescindir da ferrovia, quando devia já partir para as hidrovias, verdadeiras “estradas” que necessitam só de preservação, aliviariam o transporte de cargas e de passageiros pelo Brasil inteiro, das rodovias para as hidrovias com redução de custos de toda ordem.
Como idealizou o arquiteto Sérgio Bernardes, como se fora as veias de um corpo humano, o Brasil é dotado de uma macro integração de bacias defendida por ele por meio dos projetos de transposição hídrica, como o Projeto de Integração do Rio São Francisco (PISF), ou com o conceito de “Cidades-Esponja” – amplamente discutido no urbanismo atual, mas com origem em conceitos do arquiteto chinês Kongjian Yu.
O leitor que já percebeu a importância das ideias do arquiteto, preste atenção nas “Diretrizes Estruturais do Plano Macro-hidrovia Interligada: Integração Física das Grandes Bacias (Amazônica, Tocantins-Araguaia, São Francisco e Platina) por meio de canais artificiais e eclusas”.
Para quem está em juízo perfeito essa logística fluvial substituiria o modelo rodoviário, focado em caminhões e asfalto, pelo transporte hidroviário de altíssima capacidade para ligar o interior do País aos portos.
Enquanto isso cidades-polo autossuficientes e tecnológicas seriam criadas ao longo dos eixos fluviais, o que evitaria o que ele chamou de inchaço desordenado das metrópoles litorâneas.
Mais ainda, a utilização da vazão abundante de algumas bacias para regular e perenizar rios de regiões semiáridas, mitigando extremos de secas e cheias.
Sem falar do aproveitamento planejado do potencial hidráulico e da biomassa tropical sem destruir os ecossistemas de base. Em outras palavras, soberania Energética Limpa.

