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28-06-2026 às 13h37
Iago Almeida*
Dados de mais de 1 milhão de consultas realizadas pela Portal Telemedicina entre 2022 e 2026 mostram que as doenças respiratórias representam cerca de 17% dos motivos de atendimento na plataforma, o equivalente a aproximadamente 170 mil consultas ou mais ao longo de quatro anos e meio. Os registros indicam curvas distintas entre as regiões brasileiras. Enquanto Sul e Sudeste costumam enfrentar maior pressão durante os meses de temperaturas mais baixas, parte do Norte e do Nordeste pode concentrar o aumento de casos entre janeiro e maio, período marcado pelo inverno amazônico e pela quadra chuvosa. A diferença está relacionada ao aumento das chuvas, que favorece a permanência em ambientes fechados e intensifica a circulação de vírus respiratórios, fazendo com que a demanda por assistência possa crescer antes do inverno tradicional observado no Centro-Sul.
Para Ana Paula de Andrade Pannuti, gerente de dados da Portal Telemedicina, os registros da plataforma reforçam a necessidade de interpretar as doenças respiratórias de acordo com a realidade de cada território. “Quando analisamos uma carteira concentrada no Norte e no Nordeste, não encontramos necessariamente o maior volume de atendimentos respiratórios entre junho e agosto. Nessas regiões, a curva cresce durante os meses de chuva, muitas vezes entre março e abril, e começa a cair quando o Sul e o Sudeste entram no período de maior circulação de vírus. Isso mostra que um país com dimensões continentais não pode planejar a assistência com base em um único calendário sazonal”, afirma.
O cenário também aparece nos boletins InfoGripe da Fiocruz, que mostram dinâmicas distintas e sobrepostas de circulação da Influenza A e do vírus sincicial respiratório entre os estados ao longo do primeiro semestre. Em determinadas semanas, unidades do Norte, como Amazonas, Amapá e Pará, apresentaram sinais de desaceleração de alguns vírus, enquanto estados de outras regiões registravam estabilidade ou crescimento. O comportamento, porém, varia conforme o agente respiratório, o período analisado e a realidade de cada estado, sem configurar uma alternância regional uniforme. Nos dados da Portal Telemedicina, a maior parte dos atendimentos respiratórios está relacionada a queixas das vias aéreas superiores, geralmente de menor gravidade.
Um estudo publicado em 2022 pelo Hospital Israelita Albert Einstein, com dados coletados durante a pandemia de Covid-19, indicou que a avaliação por telemedicina de pacientes de baixo risco com sintomas respiratórios agudos apresentou condutas e diagnósticos semelhantes aos do atendimento presencial. Na pesquisa, apenas 18,7% dos pacientes precisariam ser encaminhados ao pronto atendimento, o que sugere resolutividade próxima de 81% naquele contexto de primeiro atendimento remoto.
Além de orientar casos leves e moderados, emitir receitas e atestados digitais e reduzir deslocamentos desnecessários, a telemedicina pode identificar sinais de alerta e encaminhar pacientes com falta de ar, febre persistente, desidratação, confusão mental ou baixa saturação para avaliação presencial.
Na avaliação de Ana Paula, a combinação entre assistência remota e dados em tempo real também pode apoiar a organização dos serviços de saúde. “A telemedicina ajuda a absorver casos de menor gravidade, reduz o risco de contaminação em salas de espera e amplia o acesso em localidades com escassez de profissionais. Ao mesmo tempo, os dados digitais funcionam como um termômetro da demanda e permitem perceber mudanças na curva antes que a pressão chegue aos leitos. A tecnologia precisa acompanhar a sazonalidade de cada região para apoiar o sistema de forma realmente inteligente”, conclui.
Sobre a Portal Telemedicina
A Portal Telemedicina é uma empresa brasileira fundada em 2013, especializada em soluções inovadoras de saúde digital. Com tecnologia de Inteligência Artificial e IoT, a plataforma oferece teleconsultas, telediagnóstico e gestão de saúde populacional, conectando médicos, clínicas e hospitais a pacientes em qualquer local, incluindo áreas remotas. Com mais de 30 milhões de pacientes atendidos no Brasil e na África, a Portal já impactou positivamente a saúde pública, reduzindo, por exemplo, a mortalidade por doenças crônicas. A empresa conta com parcerias estratégicas com Google, MIT, UNICEF e ONU, e foi reconhecida por sua contribuição aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável de 2030. Para mais informações, acesse: https://portaltelemedicina.com.br

