Créditos: Divulgação
23-06-2026 às 08h41
Anna Marchesini*
Até 40% dos homens acima de 45 anos apresentam sintomas, mas menos de 5% buscam ajuda médica. O silêncio em torno do climatério masculino custa caro.
Todo mundo conhece a menopausa. Tem novela, tem livro, tem campanha de outubro. “Tá na menopausa” virou até piada pronta. Mas fala de andropausa e o silêncio toma conta. Os homens olham pro lado, riem de nervoso, mudam de assunto.
Só que ela existe. Tem nome técnico: climatério masculino ou DAEM – Distúrbio Androgênico do Envelhecimento Masculino. E os dados mostram que não é “frescura” nem “coisa da cabeça”.
Os números que faltam na conversa.
A queda é real: A partir dos 30-40 anos, a testosterona cai cerca de 1% ao ano. É gradual, sem data pra começar. Diferente da menopausa da mulher, que chega de repente, a andropausa se instala devagar e por isso passa despercebida.
Sintomas atingem milhões:
Pesquisas da International Society for the Study of the Aging Male indicam que 20% a 40% dos homens entre 45 e 60 anos apresentam sintomas de deficiência androgênica: cansaço que dormir não resolve, perda de massa muscular, irritabilidade, dificuldade de concentração e queda da libido.
O subdiagnóstico assusta: Estudo europeu mostra que menos de 5% dos homens com esses sintomas procuram um médico. Os outros 95% atribuem a “estresse”, “cansaço da idade” ou “falta de motivação” e seguem sem avaliação.
O impacto vai além do humor: Dados da Mayo Clinic relacionam testosterona baixa a risco 2x maior de depressão e 3x maior de síndrome metabólica. Ou seja: não é só “falta de vontade”. É saúde física e mental.
O peso do silêncio
Enquanto 100% das mulheres passam pela menopausa e hoje falam disso, a andropausa continua tabu. Homem aprendeu cedo que “homem não chora, não sente, não envelhece”. Então ele engole a irritação, o cansaço, a tristeza. E a família sofre junto, sem entender o que mudou.
A Sociedade Brasileira de Urologia reforça: andropausa não é doença. É fase da vida. E fase da vida se cuida. O diagnóstico é feito com exame de sangue e avaliação médica. O tratamento nem sempre é reposição hormonal – muitas vezes começa com sono melhor, alimentação, atividade física e acompanhamento psicológico.
A conta não fecha
40% sentem. 5% procuram ajuda. A conta não fecha.
A menopausa virou pauta porque a mulher falou. Chorou, escreveu, foi pro consultório. A andropausa vai virar pauta quando o homem entender que pedir ajuda não é fraqueza. É cuidado.
Envelhecer dói menos quando tem nome, tem exame e tem alguém do lado dizendo: “Isso tem explicação. Isso tem tratamento. Você não tá sozinho”.
Porque homem também envelhece. E homem também merece cuidado.
Artigo baseado em dados da SBU – Sociedade Brasileira de Urologia, ISSAM e Mayo Clinic. Recomenda-se checar informações atualizadas com profissional médico antes de qualquer decisão sobre tratamento.
Sinais de alerta:
Cansaço excessivo, irritabilidade, queda de libido, perda de massa muscular, dificuldade de memória.
O que fazer:
Procurar urologista ou endocrinologista. Exame de testosterona total e livre no sangue é o primeiro passo.
*Anna é Educadora e Palestrante

