Créditos: Divulgação
13-09-2026 às 08h29
José Altino Machado (*)
Por anos a fio mantive-me na Amazônia e, por longo tempo, observei tragédias políticas que a todos os instantes advinham.
Aproveitando o exemplo do grande gueto paulista e por que não, nova extensão do território chinês, na “zona” franca de Manaus, poderia se projetar um melhor planejamento para ocupação de todo aquele invejável paraíso.
A ideia de tal zona, era que a partir dela se beneficiariam 65% seres no interior, agora a maior ocupação está na capital.
Mas, no passado nos sentíamos mais seguros. Tínhamos Jader no Pará, Mestrinho no Amazonas e um Teixeirão, em Rondônia. E na ocasião, eu próprio ousava dizer, “três grandes males”, se assim quiserem no planeta externo, absolutamente necessários ao monstruoso pedação brasileiro.
E foram os últimos grandes governadores realmente protetores dos estados amazônicos. (Essa minha particular opinião)
De lá para cá, principalmente após a Constituição de 1988, não só governadores, constituintes omissos a ela, diga-se. mas inclusive assembleias legislativas, se decompuseram em formidáveis inutilidades.
O poder central reina soberano, como não existisse neste rincão, estados federados. Governadores passivamente se tornaram verdadeiros “bundões”. As próprias polícias militares, esteios máximos da organização de quaisquer Estados, se tornam anuladas em defesa não só de patrimônios, como das vidas de seus habitantes.
Por aqui, tudo se decompôs a quintal do comando federal e porque não do mundo. E em verdade, reconheçamos, a única região no planeta, da qual, a simples opinião de um governo insignificante, cientista mal-informado, de um ongueiro doidão inconsequente ou um dos reconhecidos idiotas, pode mudar a vida de muita gente.
Interessante, este território foi conquistado e trazido à Nação brasileira, pelos melhores homens que por cá vieram e sempre aqui ficaram. O problema maior gerado na contramão disso, é que ocupantes de poderes centrais, no tal famoso “estado democrático de direito”, tão alardeado, mas apenas para uso deles próprios, é que permitem que sejam estabelecidas normas que atendam suas quimeras, ou mais grave, a seus interesses.
Na Amazônia, não há sequer um estado que usufrua respeito advindo do poder central, ou mesmo de outros companheiros da má-sorte legal.
A Constituição/88 reassegurou a visão caolha de uma ditadura (Vargas) que tornou tão diferente das inteligentes capitanias hereditárias herdadas. Que após evoluírem a estados poderosos chegaram a durar até o absolutismo do cavaleiro barrigudinho, o gaúcho Getúlio Vargas.
Este ao perder o cargo, jamais foi condenado por quem dele o retirou e ainda lhe foi permitido que retornasse ao poder pelas urnas. E só abandonou a presa saindo, pela tangente, para entrar para a “história”, como pretendia em testamento, com sua morte. Pelos malfeitos antidemocráticos, nem prisão domiciliar.
Que ninguém pense que não tenha assistido sequer um episódio desse ator sulista de faroeste sul-guarani. Nascido durante a guerra, que diziam ser mundial, mas que para cá não veio, nós é que fomos aliciados, menino cheguei a presenciar comícios no interior, para sua eleição de volta ao cargo, que a força antes havia tomado.
Apenas dizendo, “o petróleo é nosso” e tantos no país gritando, “que saudade de você”, o danado obteve estrondosa votação, para desespero do carioca Carlos Lacerda.
Pois é, essa CF oitenta e oito, que gere a vida nacional, como bem disse o ex-presidente Sarney, exemplo de tolerância, criou uma Nação ingovernável. Pior tudo ficou, com reduções de idade exigidos para importantes cargos eletivos. Por outro lado, sequer se preveniu com a chegada da senilidade, tão observada em dias de hoje.
A todos estes acontecimentos geradores de mandos e desmandos, alguns se dizendo em cumprimento das leis, tenho observado com paciência de tamanho amazônico, vindo daí meu respeito a muitos, que hoje são ignorados nos arquivos dos bons exemplos.
Vivemos num raio de democracia do pé quebrado, tal semelhança a Saci Pererê, sempre em risco de queda, existindo tão somente a quem está no poder ou usando proteção de togas. Democracia que maltrata minorias habitantes na vastidão amazônica.
As organizações de suas existências são tangidas ao sabor de utopias ilusórias, por estranhos e estrangeiros atores, da vida imaginada em artes romanceadas.
Bem, por isso, guardo com exultação a muita gente do Norte, que a vida não me permitiu conhecer pessoalmente, mas podendo sentir as passagens deles onde aconteceram. A história daqueles homens da Provincia do Grã Para, deveria ser relida para a memória de atuais governantes e lideranças de toda Amazônia. Valeria a pena.
Atualmente, também produzimos a participação amapaense com grandes figuras que alcançaram projeção. Sem discutirmos ideários ou lados, muitos com merecimentos indiscutíveis.
Mas, devo ressaltar com maiores aplausos a carreira desenvolvida, de meu bastante conhecido, senador Davi Alcolumbre. Seguindo exemplo anteriores, colocou o Amapá, por duas vezes, na presidência do maior poder da República, o verdadeiro regente da vida nacional.
Entretanto, com as surpresas causadas pelos eventos brasilienses, envolvendo ministros de Corte Suprema, sabatinados e avaliados pela senadoria da qual já fazia parte, me parece haver confundido o cargo com seus particulares desejos, partidarismo político e raciocínio um tanto ao lado pessoal.
Jamais imaginei que, ser tão admirado por mim e tantos outros, pudesse chegar a normatizar a impunidade neste país, usando para isso, episódios que nunca em sua história, ocorreram, em uma Côrte Soberaníssima, que está a necessitar cortes e com urgência.
Há que se dizer ao caro Davi, que esta cadeira de poder, a mais republicana entre todas, não é dele, nem de suas emoções, mas daqueles que votaram nele para ser o Amapá na coordenação da integridade nacional e principalmente ao resgate do devido respeito, a dois irmãos, Firmino e Germano Pinheiro do bastante histórico garimpo do Lourenço, onde ao derrotarem os franceses, se permitiu sua anexação a nosso país.
A Nação brasileira tem perdido muita qualidade, com suas maiores representatividades rasgando sua história.
BH/Macapa-11/09/2026
*José Altino Machado é jornalista

