Créditos: Divulgação
11-06-2026 ás 08h26
Daniela Rodrigues Machado Vilela*
Entrar em contanto consigo mesmo é tarefa árdua. É mais fácil viver só com o olhar voltado para fora, preocupado com consumismos e prazeres fugazes. Nem sempre o que se vê de uma pessoa é “realmente” o que ela é ou pensa que é. Uma indagação possível seria questionar se existe um “eu” ou se todos são formados por um aglomerado de informações, recordações, memórias e acontecimentos. Seria isto? Se um dia o sujeito é, e no outro, tudo muda, nada perdura, isto quer dizer que estão todos num movimento constante de inventar-se e reinventar-se?
Ser inteiro e autêntico sem ser grosseiro, enxergar o próprio lado A e o B, conseguir tocar no que delineia o ser em seu mais profundo, aperfeiçoar características, trabalhar-se, enxergar o outro, o próprio modo de ação e as transformações, é desafiador.
É devastador viver em meio a tanta dor e penúria. Diante deste cenário, o homem se constrói e reconstrói, incessantemente, vai se regenerando, renascendo, aperfeiçoando, de modo a se reerguer, mesmo diante da finitude da vida e da fugacidade de tudo. Ademais, sempre é tempo de aprender, levantar e seguir adiante.
Existem os pecados capitais como: gula, inveja, ira, luxúria, preguiça, soberba e avareza. Cabe ao homem perseguir boas condutas no seu trato diário, consigo e com os demais na busca de um refinamento da própria alma, um lapidar das características, ou seja, autoconhecimento. Todos detêm em alguma medida, esta ou aquela característica, este ou aquele defeito. Estão todos em construção e processo de aprendizado.
Ao longo de uma vida, o comedimento nas falas é deveras difícil. Desapego é algo complexo também. Para além, é importante empenho, ao passo que, autoexigências ou exigências excessivas são um limitador. Cabe ser diligente nas tarefas diárias, deter a preguiça excessiva, viver em contínua busca por equilíbrio, pelo caminho do meio, por ponderação e proporcionalidade. Por outro lado, ser sanguíneo demais é um devaneio.
Não estar aprisionado ao dinheiro ou ser um viciado em poupar, são gestos de sabedoria. Em contrapartida, é necessário, ter economias para não viver miseravelmente e prover as necessidades da velhice. Enfim, gastar, aproveitar a vida, não ser escravo do dinheiro nem ser escravizado pela absoluta falta deste.
Demonstra-se como indicativo de evolução, aceitar as próprias limitações, medos e desenvolver senso de autocrítica, estar disposto a crescer, aprender a se tornar a melhor versão de si próprio, reconhecer quando é tempo de buscar aperfeiçoamento, não menosprezar as experiências e saberes que a vida proporciona e o que o outro tem a ensinar. Ademais, soberba, egoísmo e arrogância afastam pessoas, dificultam o convívio.
É importante defender os próprios pontos de vista, valorizar o que se pensa de modo analítico, buscar a concretude dos projetos e sonhos num tempo razoável, pois tudo é provisório, não se tem a palavra final sobre nada. Tudo muda, não há verdade máxima sobre fatos ou pessoas e há inexoravelmente um tempo limite de vida dos seres na terra.
Cultivar serenidade é importante, ter paz interior, estar harmonicamente envolvido com a própria caminhada e projetos, ter leveza para observar o fluir da vida.
Enfim, é simples imaginar, mas difícil colocar em prática. É fácil projetar um discurso perfeito, mas na hora do debate se diz algo que é mal interpretado e tudo sai dos trilhos. A partir desta incompreensão e quebra de expectativas, as relações se tornam caóticas e a frustração se instala.
O importante é ter disposição para o bem, comportamento generoso, altruísta, empático, agir de modo ético e buscar crescimento pessoal. Estas são características positivas a serem perseguidas, portanto, mude, se reconstrua e aperfeiçoe continuamente. No mais, boa sorte, a vida é uma aventura que se renova a cada amanhecer.
*Doutora, Mestra e Especialista em Direito (UFMG), com Pós-doutorado (UFMG) com financiamento público (FAPEMIG). Professora Universitária. Pesquisadora com ênfase em Trabalho, Filosofia e Linguagem. Diletante na arte da vida e da pintura.

