Pessoas bitoladas por conexões nas redes de internet - créditos: TecMundo
08-06-2026 às 14h10
Carlos Mota*
Embora os bolsonaristas não vejam utilidade alguma neles, o Brasil nunca precisou tanto de filósofos, coisa que – diga-se de passagem – Olavo de Carvalho nunca foi.
O próprio mundo está precisando de mais filósofos, pois a cada dia surgem perguntas e mais perguntas sem que apareça alguém a nos oferecer respostas satisfatórias e capazes de deter o apocalipse cada vez mais perto.
Mas o filosofar é empreitada solitária e que requer horas, dias, meses, anos, décadas dedicadas ao ato de pensar, sem se desviar do foco do que está sendo pensado, coisa difícil de se fazer nos tempos que correm, a não ser que nos enfiemos num buraco ou nos escondamos numa ilha deserta, nos desvencilhando da nuvem virtual que engolfou a humanidade toda, mesmo aqueles que se julgam dela desconectados.
Observo, nas minhas andanças, que oito, nove e até mesmo dez em cada dez pessoas que vejo andando pelas ruas, esperando condução, comendo e bebendo, elas estão atentas aos seus smartphones e eles se transformaram em instrumento que as desconectam da realidade.
Ninguém mais pensa detidamente sobre coisa alguma e, quando tenta ou é compelida a agir assim, o faz de maneira apressada, pois uma espécie de imã obriga que ela volte a prestar atenção ao seu smartphone, como que uma espécie de feitiço ou vírus tivesse sido lançado contra a humanidade, com o fim de aniquilá-la.
Multiplicam-se, por conta disso, os desastres resultantes das coisas mal pensadas ou impensadas, desde tombos ou atropelamentos de internautas distraídos, passando por relacionamentos sociais que se esgarçam e se rompem, até escolhas de doidos e violentos para a chefia das mais variadas organizações, dentre elas a mais poderosa do planeta!
Errou feio os que vaticinaram que as bombas atômicas seriam as armas que iriam destruir a humanidade, pois, pasmem! a humanidade está sendo destruída por uma delgada caixinha de plástico, de onde sete bilhões de pitecantropos não conseguem tirar os olhos de sua tela!
*Carlos Mota é procurador federal aposentado, ex-deputado federal, escritor e membro da Academia de Letras do Vale do Jequitinhonha
Nota: As publicações de nossos colunistas, cronistas e comentaristas não refletem, necessariamente, a opinião do jornal Diário de Minas.

