21-04-2026 às 16h20
Padedê (*) entre Mota e Coelho
Como tenho a sorte de escrever para um público culto, embora em número curto num Brasil tão comprido, mas inculto, posso falar de um assunto alheio ao conhecimento de metade da população brasileira: uma coreografia de nome BALÉ ou BALET para os francófonos, acompanhada por uma avis rara e também em extinção, chamada ORQUESTRA SINFÔNICA , encenada no palco de uma enorme construção, quase sempre moderna e chamada TEATRO, cuja a maioria esmagadora das cinco mil e tantas cidades brasileiras nem conhece.
E nas cidades grandes e capitais que possuem teatros, como o belíssimo MUNICIPAL do Rio e de São Paulo ou o modernissimo PALÁCIO DAS ARTES em Belo Horizonte, e o ultramoderno NACIONAL de Brasília, há anos não vejo notícias de óperas ou balés encenados em seus palcos, coisa que acontecia quando o Brasil era infinitamente mais pobre do que hoje, pois até um cuchicó de nome Minas Novas tinha o seu, todavia há anos demolido.
Porém, EM COMPENSAÇÃO, Minas Novas (23.000 mil habitantes e menos de 10.000 na área urbana) conta com vários espaços para música e dança, ditos ARENAS DE SHOWS (capazes de receber público que ultrapassa a população da cidade), e que de resto foram construídos em todo o Brasil, sobretudo graças ao “mecenato” de picaretas, travestidos de parlamentares e suas emendas secretas e via pix, que sem fiscalização alguma vão para os corruptos bolsos deles próprios e de prefeitos e vereadores. Enfim, emendas que deveriam ir pra escolas e hospitais, mas que são desviadas para o pagamento de milionários cachês dos artistas sertanejos que embalam tais shows.
Mas BALÉ e BAILES ou BALADAS (são termos afins) e apresentam uma outra AFINIDADE: os trajes, tanto os dos bailarinos e bailarinas dos clássicos corpos de baile, quanto às roupas, sobretudo apertadíssimas calças, usadas pelos cantores sertanejos e seus milhões de fãs masculinos.
E, por fim, há uma HILÁRIA afinidade, e que hora me faz quebrar os dentes de tanto rir, o VERBO QUEBRAR, pois no balé o QUEBRA-NOZES é a sua expressão máxima e na incultura sertaneja a CALÇA QUEBRA-OVOS explica porque tais cantores cantam gritando e até chorando: -.A DOR DE SEUS TESTÍCULOS SENDO QUEBRADOS.

E assim encerro este meu TEXTICULO DE HOJE!
(*) O pas de deux (aportuguesado como padedê) é um dueto de balé, geralmente entre uma bailarina e um bailarino, focado na parceria, sincronia e troca técnica.
*Carlos Mota é ex-procurador federal, ex-deputado federal, escritor e membro da ALVA – Academia de Letras do Vale do Jequitinhonha

