Créditos: Dra Anna Domingues Bohn- pediatra/Divulgação
13-04-2026 às 15h37
Dra. Anna Dominguez Bohn*
A inteligência artificial (IA) já faz parte do cotidiano de crianças e adolescentes, presente em aplicativos, jogos, assistentes virtuais e plataformas digitais. Diante desse cenário, a UNICEF tem chamado atenção para a necessidade de orientação e acompanhamento no uso dessas tecnologias. Materiais recentes da organização indicam que, embora a IA ofereça oportunidades de aprendizado e acesso à informação, também envolve riscos relevantes, como exposição a conteúdos inadequados, desinformação, compartilhamento indevido de dados pessoais e interações que podem não ser adequadas ao desenvolvimento infantil. Por isso, a recomendação é que pais e educadores participem ativamente do uso dessas ferramentas, promovendo segurança, privacidade e pensamento crítico.
A pediatra Dra. Anna Dominguez Bohn reforça que esse cenário exige um novo olhar da parentalidade: “Inteligência artificial é uma realidade que traz muitos desafios para a parentalidade moderna, porque evolui numa rapidez que a maioria das pessoas não consegue acompanhar. Precisamos estar atentos aos nossos filhos, dando ferramentas para que usem essas tecnologias com segurança e responsabilidade”, afirma Dra. Bohn.
Segundo a especialista, esse acompanhamento passa por três pilares:
1.Letramento digital e em IA
“É importante iniciar conversas sobre IA desde cedo, explicando que essas ferramentas seguem instruções e não pensam ou sentem como humanos. Isso ajuda a criança a desenvolver senso crítico.”
2.Privacidade e limites claros
“Alertar que eles não devem compartilhar dados pessoais com chatbots ou aplicativos. Também é essencial respeitar limites de idade e os responsáveis devem acompanhar o uso de perto.”
3.Aprendizado conjunto e uso crítico
“Manter uma comunicação aberta permite que pais e filhos aprendam juntos e usem a IA como apoio, e não como substituto do raciocínio.”
A especialista também orienta para a importância de os pais observarem sinais comportamentais no dia a dia. Segundo a Dra. Anna Dominguez Bohn, o uso excessivo de telas e a exposição precoce a tecnologias podem impactar diretamente o bem-estar emocional das crianças e adolescentes. “É importante que os pais não ignorem mudanças de humor, alterações na alimentação e no sono. Muitas vezes, esses sinais indicam que algo não está indo bem. Principalmente entre adolescentes, essas mudanças podem estar relacionadas ao uso excessivo de telas ou à forma como estão interagindo com essas ferramentas”, explica.
Lista de dicas práticas
• Incentivar a checagem de fatos, já que respostas de IA podem conter erros ou informações imprecisas;
• Ajudar crianças e adolescentes a reconhecer quando interromper interações online;
• Evitar o compartilhamento de dados pessoais com ferramentas digitais;
• Utilizar a IA como apoio ao aprendizado, sem substituir o desenvolvimento de habilidades.
“As medidas mais eficazes dependem de os adultos estabelecerem limites claros e estarem próximos da vida digital da criança para perceber mudanças e orientar de forma responsável”, conclui Dra. Bohn.
*Dra. Anna Dominguez Bohn é pediatra formada pela Universidade de São Paulo (USP), com especialização em Terapia Intensiva Pediátrica, Síndrome de Down, Neurociência e Desenvolvimento Infantil. Atualmente integra o corpo clínico do Hospital Israelita Albert Einstein, onde também ministra cursos de atualização para médicos de diversas especialidades, além de atuar nos hospitais Sírio-Libanês e Vila Nova Star.
CRM 150.572 | RQE 106869 / 1068691

