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03-06-2026 às 14h50
Carolina Lara*
O Brasil abriu mais de 4 milhões de empresas em 2025, segundo o Mapa de Empresas do governo federal, em um movimento que ampliou a pressão por qualificação formal no mercado de trabalho. Ao mesmo tempo, o ensino superior já soma 9,98 milhões de matrículas e o ensino a distância responde por cerca de 49% dos alunos, de acordo com os dados mais recentes disponíveis do Inep.
Esse avanço consolidou um modelo digital que agora começa a ser levado para fora do país, com empresas estruturando expansão para a América Latina.
Tiago Zanolla, educador e fundador de um ecossistema educacional digital, afirma que a combinação entre legislação brasileira e tecnologia criou um formato replicável. “O país desenvolveu um modelo eficiente baseado em carga horária, e não em tempo. Isso permite acelerar a formação e facilita a expansão para outros mercados”, diz.
A demanda não se limita ao território nacional. O número de brasileiros vivendo no exterior já se aproxima de 5 milhões, segundo estimativas do Itamaraty, e parte desse público busca regularização profissional ou acesso a diplomas reconhecidos. A América Latina surge como rota inicial pela proximidade cultural e pela menor oferta de ensino flexível em comparação com o Brasil.
A operação segue um formato que ganhou escala nos últimos anos: plataformas que funcionam como hubs conectando alunos a instituições credenciadas, sem necessidade de estrutura física ou corpo docente próprio.
Esse modelo reduz custos e amplia alcance, criando uma base mais leve para expansão internacional. “Existe um público que já trabalha, precisa do diploma e não consegue seguir o modelo tradicional. Esse perfil se repete fora do Brasil”, afirma.
O avanço também abre espaço para novos modelos de receita. Empresas passam a incorporar educação como ferramenta de qualificação interna e retenção de talentos, aproveitando a possibilidade de tratar esses investimentos como custo operacional. “A educação deixa de ser apenas um benefício e passa a ser uma estratégia de crescimento quando integrada ao negócio”, afirma.
Para companhias que pretendem iniciar esse movimento, o primeiro passo envolve entender o ambiente regulatório de cada país e estruturar parcerias locais. A adaptação do portfólio e da comunicação também se torna necessária para atender às especificidades culturais e às exigências legais de cada mercado.
A escalabilidade do digital aparece como principal vantagem, mas exige controle sobre qualidade e certificação. A replicação sem ajustes pode comprometer a percepção de valor e a validação dos diplomas. “Não basta copiar o modelo. É preciso entender o que cada mercado reconhece como ensino de qualidade”, afirma.
Empresas interessadas na expansão têm recorrido a plataformas especializadas que oferecem desde captação de alunos até gestão acadêmica, reduzindo barreiras de entrada e permitindo testes em novos países antes de uma operação mais robusta.
Outro vetor de crescimento está na integração com negócios digitais e infoprodutores, ampliando o ciclo de relacionamento com o cliente. Ao incorporar trilhas educacionais, empresas aumentam o tempo de permanência do consumidor e criam novas fontes de receita. “Quando a educação entra como continuidade do produto, o valor do cliente cresce e o negócio ganha previsibilidade”, diz.
A exportação do modelo educacional brasileiro ainda está em fase inicial, mas acompanha a digitalização do ensino e a busca por formatos mais flexíveis. Para empresas do setor, a oportunidade está em transformar um sistema já validado no país em solução internacional, explorando mercados onde a demanda por qualificação segue em expansão.
Sobre Tiago Zanolla
Tiago Zanolla é professor especializado em concursos públicos, com mais de 15 anos de experiência, mais de 2.000 aulas produzidas e mais de 2 milhões de alunos impactados ao longo da carreira. É referência nacional no ensino jurídico e administrativo para concursos de Tribunais, Ministério Público, carreiras policiais e órgãos federais, além de professor e coordenador de conteúdo na Estratégia Concursos.
Engenheiro de produção por formação, criou o sistema SER, Seleção do Conteúdo Essencialmente Relevante, metodologia baseada em dados aplicada à preparação para concursos. É autor do livro Ética no Serviço Público uma visão moderna, palestrante em inovação educacional e fundador da UFEM Educacional, edtech que conecta mais de 210 mil alunos a instituições reconhecidas pelo MEC.
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Sobre a UFEM Educacional
A UFEM Educacional é um hub de educação 100% digital que conecta estudantes a instituições de ensino reconhecidas pelo Ministério da Educação. Atua como marketplace educacional, oferecendo graduação acelerada, pós-graduação, cursos técnicos, cursos livres, EJA, mestrado e doutorado na modalidade EAD.
Com mais de 210 mil alunos na rede de ensino, a UFEM organiza o acesso à formação superior por meio de tecnologia, inteligência de dados e parcerias estratégicas com faculdades credenciadas, responsáveis pela emissão de diplomas e certificados registrados e verificáveis. O modelo reduz burocracia, encurta o tempo até o diploma e amplia o acesso ao ensino superior com conformidade regulatória e foco nas demandas do mercado de trabalho.

