Marinha do Brasil muda de patamar ao assumir aeroporto com pista de 1.600 metros usada por 1.800 militares e testes de drone de ataque autônomo - créditos: Marinha do Brasil
21-04-2026 às 17h10
Jussara Ribeiro*
Situada em uma das regiões mais deslumbrantes do país, Capitólio já é amplamente reconhecida como um dos principais destinos turísticos de Minas Gerais, especialmente por abrigar o imponente Lago de Furnas — frequentemente chamado de “Mar de Minas” — e por sua proximidade com a Serra da Canastra, nascedouro do “Velho Chico”, além de berço de belezas naturais exuberantes e de rica biodiversidade.
A decisão da Marinha de utilizar o aeroporto como base para exercícios e treinamentos de defesa reforça a importância estratégica da região no contexto nacional. A presença militar tende a trazer investimentos indiretos, melhorias na infraestrutura local e maior visibilidade institucional. Contudo, limitar o uso do aeroporto exclusivamente a fins militares pode representar uma oportunidade parcialmente aproveitada.
A coexistência de operações militares com voos comerciais — modelo já adotado em diversas partes do mundo — poderia transformar significativamente a dinâmica economia local. A abertura controlada para a aviação civil permitiria a chegada facilitada de turistas de diferentes regiões do Brasil e até do exterior, reduzindo o tempo e a complexidade de acesso a Capitólio, que hoje depende majoritariamente de deslocamentos rodoviários.
Essa ampliação de acesso teria efeitos diretos no fortalecimento do turismo regional: aumento da ocupação hoteleira, estímulo à gastronomia local, expansão de serviços turísticos e geração de emprego e renda. Além disso, contribuiria para posicionar a região como um destino competitivo em nível nacional e internacional, especialmente no segmento de ecoturismo, turismo rural e turismo de experiência.
É importante destacar que a integração entre uso militar e comercial exige planejamento rigoroso, investimentos em segurança operacional e alinhamento entre diferentes esferas de governo. No entanto, os benefícios potenciais justificam amplamente a construção desse diálogo institucional, que poderia até mesmo culminar com a inclusão da iniciativa privada, visto que a Marinha do Brasil poderia realizar todos os usos de defesa do equipamento com grande maestria, mas, a operação comercial, melhor seria se essa fosse deixada para algum dos experientes grupos que já operam hoje os aeroportos brasileiros.
Em um país de dimensões continentais como o Brasil, iniciativas que conectem regiões turísticas emergentes a uma malha aérea mais acessível são fundamentais para promover o desenvolvimento equilibrado. O aeroporto de Capitólio, sob gestão da Marinha, pode se tornar não apenas um ativo estratégico de defesa, mas também um vetor transformador para toda a região, especialmente se despertar o interesse por uma parceria público-privada para sua administração comercial.
A convergência entre segurança nacional e desenvolvimento econômico, quando bem conduzida, revela-se não apenas possível, mas desejável — especialmente em territórios com vocação natural tão evidente quanto Capitólio e seu entorno.
*Jussara Ribeiro, jornalista, presidente do Instituto Besc de Humanidades e Economia.

