Ex-secretário Marcelo Aro (PP) e governador Mateus Simões (PSD). Créditos:: Divulgação
04-08-2026 às 10h15
Samuel Arruda*
O grupo político construído pelo ex-governador Romeu Zema sofreu sua maior ruptura desde o início da atual sucessão estadual. O ex-secretário de Governo Marcelo Aro (PP) confirmou que pretende disputar o Governo de Minas Gerais e passou a ser alvo de duras críticas do governador Mateus Simões (PSD), que disputa a reeleição após assumir o cargo com a renúncia de Zema para concorrer à Presidência da República.
A crise ganhou força depois que Aro comunicou ao governador sua intenção de construir uma candidatura própria. Até então, ele era considerado um dos principais articuladores políticos do governo e era apontado como possível candidato ao Senado na chapa governista.
Em reação, Mateus Simões afirmou ter recebido a decisão com “decepção” e acusou o ex-aliado de abandonar o projeto político iniciado por Romeu Zema. Segundo o governador, Aro vinha negociando há semanas uma candidatura alternativa ao Palácio Tiradentes, o que classificou como uma ruptura de confiança.
Romeu Zema também entrou no debate e chamou a decisão de Marcelo Aro de “traição”, afirmando que o ex-secretário colocou interesses pessoais acima do projeto político do grupo. O ex-governador declarou ainda que as articulações conduzidas por Aro em Brasília poderiam enfraquecer a continuidade da atual gestão em Minas.
Do outro lado, Marcelo Aro passou a defender publicamente sua pré-candidatura ao governo. Em declarações recentes, afirmou que é “candidatíssimo” e indicou que pretende buscar apoio de uma ampla frente de partidos de centro e direita, incluindo conversas com PP, União Brasil, Podemos e setores do PL, dependendo da definição do cenário eleitoral.
Histórico de controvérsias
A nova crise recoloca Marcelo Aro no centro de disputas políticas. No passado, ele protagonizou um rompimento com o empresário e então aliado Vittorio Medioli. Também enfrentou acusações relacionadas ao comando nacional do antigo PHS, quando adversários afirmaram que teria utilizado uma ata supostamente irregular para assumir a direção da legenda. Na época, Aro contestou as acusações e a disputa foi tratada no âmbito político e judicial. Ao mencionar esse histórico, é importante registrar que se tratam de acusações que foram feitas contra ele e não de condenações definitivas conhecidas decorrentes desses episódios.
Agora, adversários afirmam que Aro repete um comportamento de rompimento político ao deixar o núcleo de confiança formado por Zema e Mateus Simões justamente durante a preparação da campanha eleitoral. Já seus aliados sustentam que a candidatura representa uma alternativa legítima dentro do campo de centro-direita e negam qualquer ato de deslealdade.
Sucessão em Minas
A saída de Marcelo Aro altera o cenário da disputa pelo Governo de Minas. Mateus Simões, candidato à reeleição com o apoio de Romeu Zema, perde um de seus principais articuladores políticos, enquanto Aro tenta consolidar um novo bloco de apoio para viabilizar sua candidatura.
A tendência é que o embate entre os dois ex-aliados domine o debate político mineiro nas próximas semanas, especialmente durante as convenções partidárias e a definição das alianças para as eleições de 2026.
* Samuel Arruda é jornalista e editor de política

