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25-07-2026 às 08h37
Daniela Rodrigues Machado Vilela*
Casa é aconchego, lugar em que se quer chegar, após um dia exaustivo de trabalho. O lar deve ser o local do acolhimento, descanso e conforto, onde se esquece dos problemas, ainda que momentaneamente. Local de relaxamento e descanso do indivíduo que no dia seguinte, se coloca diante da luta diária pelo pão.
Porém, a cada dia se percebe de modo contundente, o frenesi, o caótico de cada dia, uma atividade intensa e exauriente, uma agitação acrescida de poluição sonora e visual, loucura no trânsito, pessoas correndo atrasadas em estado de exaltação violenta, desatentas, enfurecidas, agitadas, alvoroçadas, ou seja, percebe-se inquietações de todo tipo e por todos os lados.
Chatices e acontecimentos inesperados estão por toda parte, o mundo não se curva à nossa vontade. Todos os dias é preciso lidar com imprevisibilidade e caos. O universo é indiferente ao querer, caprichos e necessidades do homem. Afinal, viver é também sobreviver e lidar com uma margem de risco.
É perceptível que há má prestação de serviços por todos os lados. Também, se convive com as contingências inerentes ao urbano como, por exemplo, a difícil tarefa de encontrar uma vaga para estacionar, assim como motocicletas e carros ruidosos pelas ruas. Acrescido a isto: chuva e sol, frio e calor, ventos fortes, brigas no trânsito e outras domésticas, eventos rotineiros e outros aleatórios e inesperados se desencadeiam na rotina das cidades. Os dias são assim, entrecortados por uma multiplicidade de eventos e é indispensável saber lidar com a contingência, os imprevistos.
É gasto vão de energia esperar por acontecimentos que sempre satisfaçam as expectativas. Tudo é dual, dias ruins podem ter sua parcela de aprendizado.
É demonstrativo de sabedoria escolher as guerras em que se pretende entrar, os preços que se está disposto a pagar. Não dá para controlar por completo o curso de uma plêiade de circunstâncias.
É tarefa sábia e inteligente deixar fluir, manter-se calmo e centrado, afinal o mundo não corresponde a uma utopia. Às vezes, descontentamentos nos habitam e, é preciso aprender a lidar com as frustrações e quebras de expectativas.
Ao longo da vida, é importante adquirir maleabilidade, jogo de cintura, maturidade e, desta feita, encarar que viver é desafiador. Ter maturidade para lidar com os percalços e pessoas inoportunas.
Humor, leveza e acolhimento com as próprias falhas é elemento vital, porém isto não quer dizer se aceitar incondicionalmente. Os incômodos diários são elementos ordinários, corriqueiros. Já, como lidar com estes, é questão de perspicácia e estratégia.
A felicidade mora nos detalhes, dificilmente há momentos plenamente felizes ou satisfatórios, influi o temperamento do indivíduo, o modo como enxerga os percalços, as circunstâncias de vida e saúde, por isto, ser feliz pode ser usufruído em parcelas.
A questão, é aguçar o olhar e reconhecer o que faz sentido a si mesmo, perceber o dia a dia como um presente e lidar com as próprias tarefas com leveza, abandonando as lamentações. Há uma díade diária, de um lado, pode o indivíduo abraçar a gratidão ou, de outro lado, lamuriar, desmedidamente, por tudo que sai dos trilhos e que tem o contorno afetado ou o planejamento inicial desorganizado.
Portanto, sorria, tenha humor, paciência e não se deixe afetar pelas situações cotidianas inconvenientes, desagradáveis e indesejáveis que experiencia, afinal, não há receita de nada, esteja calmo, aja com sabedoria e parcimônia diante do turbilhão das águas agitadas e turvas da vida diária.
* Doutora, Mestra e Especialista em Direito pela UFMG. Cursou Residência Pós-doutoral pela UFMG com financiamento público da FAPEMIG. Professora Universitária. Autodidata na arte da pintura e da vida.

