Conscientização da coleta seletiva de lixo - créditos: Unip
04-06-2026 às 14h18
Priscila Belchior Freitas*
Em um momento onde o mundo volta os olhos para as discussões sobre sustentabilidade durante a Semana do Meio Ambiente, uma conquista alcançada pela SOLOS ajuda a mostrar como soluções ambientais podem gerar benefícios concretos para as pessoas. A organização atingiu no último mês, o marco de R$10 milhões em renda gerada para catadores e cooperativas de reciclagem em diferentes regiões do Brasil, resultado construído por meio de operações de logística reversa, programas estruturantes e projetos realizados em grandes eventos.
O resultado ganha ainda mais relevância diante dos desafios enfrentados pelo país na gestão de resíduos. Segundo o Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil 2025, divulgado pela Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (Abrema), o Brasil gerou 81,6 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos em 2024. Desse total, apenas 7,1 milhões de toneladas foram destinadas à reciclagem, o equivalente a 8,7% dos resíduos gerados.
Grande parte desse material só retorna ao ciclo produtivo graças ao trabalho realizado pelos catadores. Segundo o Atlas Brasileiro de Reciclagem, cerca de um milhão de catadores atuam atualmente no Brasil, seja de forma autônoma ou organizados em cooperativas e associações, desempenhando um papel fundamental para a coleta, triagem e destinação correta dos resíduos recicláveis.
Para Saville Alves, fundadora e líder de negócios da SOLOS, a Semana do Meio Ambiente é uma oportunidade para ampliar o debate sobre a importância da inclusão produtiva dentro das estratégias de sustentabilidade.
“Quando falamos em reciclagem, estamos falando também sobre pessoas. Os resultados ambientais só são possíveis porque existe uma rede de trabalhadores que realiza diariamente a coleta, a separação e a destinação correta dos materiais. Alcançar R$10 milhões em renda gerada para catadores mostra que é possível construir modelos que conciliam preservação ambiental, desenvolvimento econômico e inclusão social”, afirma.
O marco alcançado pela organização é resultado de iniciativas realizadas em diferentes territórios do país, com destaque para operações de reciclagem em grandes eventos, sistemas inteligentes de logística reversa e programas que ampliam as oportunidades de geração de renda para cooperativas e catadores autônomos. A renda contempla pagamentos por serviços prestados, comercialização dos materiais recicláveis e ganhos provenientes dos créditos de logística reversa.
Além do impacto social, as iniciativas também contribuem para evitar que toneladas de resíduos sejam destinadas a aterros sanitários ou descartadas inadequadamente no meio ambiente, reduzindo a pressão sobre recursos naturais e incentivando padrões de consumo mais sustentáveis.
O Ministério do Meio Ambiente reconhece os catadores como agentes fundamentais para a implementação da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), destacando sua contribuição para o aumento da vida útil dos aterros sanitários, a redução da extração de recursos naturais e o fortalecimento da economia circular no país.
Durante a Semana do Meio Ambiente, é necessário reforçar a necessidade de enxergar a reciclagem como uma estratégia capaz de conectar diferentes agendas: combate às mudanças climáticas, geração de trabalho e renda, fortalecimento da economia circular e valorização dos profissionais que desempenham papel essencial na construção de cidades mais sustentáveis.
“Os R$10 milhões representam muito mais do que um resultado financeiro. Eles refletem histórias de transformação, oportunidades geradas e o fortalecimento de uma cadeia que é essencial para o futuro das cidades e do planeta. Acreditamos que não existe sustentabilidade sem inclusão e que os catadores precisam estar no centro dessa discussão”, conclui Saville.
Sobre a SOLOS:
A SOLOS é uma startup de impacto que atua junto a territórios e marcas para apoiá-los na superação dos desafios relacionados à economia circular. Por meio de sistemas inteligentes, conteúdos e experiência e reciclagem em grande eventos, a companhia promove o descarte correto de embalagens pós-consumo, melhorando a vida de todos: dos catadores às tartarugas marinhas. Em nove anos, a empresa já realizou parcerias com marcas como Ambev, Braskem, iFood, Nubank e Coca-Cola e coletou mais de 2 mil toneladas de resíduos, gerando R$10 milhões em renda para os catadores.
*Priscila Belchior Freitas – Agência Sicomunicação

