Créditos: Magnific
29-07-2026 às 08h37
Carlos Mota*
Às vezes sou perguntado sobre livros que tenho prontos e no ponto de serem impressos ou imprimidos e publicados, mas que eu teimo em não fazer isso!?
De fato, tenho vários inéditos engavetados, o primeiro escrito vinte e poucos anos atrás, além de milhares de crônicas, ensaios, poesias e miscelâneas que não sei classificar, e que também poderiam resultar em mais livros, muito embora grande parte desse material eu publiquei em meu Facebook e alguns são compartilhados em sites de amigos e até em jornais eletrônicos feito o Diário de Minas e no capabrasil.com.br/.
Mas não se trata de teimosia ou pirraça, pois a razão é que não tenho como bancar os custos de uma edição, muito menos a de mais de vinte livros, e até hoje não achei quem pudesse ou possa fazer isso por mim?
Não sei escrever sob demanda ou “de olho no mercado consumidor”, mas cheguei a ser sondado, por exemplo, para escrever “literatura” infanto-juvenil, sob o argumento de que o governo é generoso nas compras, mas é aí que mora o meu problema: nunca quis, não quero e jamais quererei um centavo de dinheiro público para publicar meus inéditos, pois os que publiquei foram às minhas expensas, e o Dicionário o foi graças ao amigo e meu mecenas, o jornalista Toninho do Diap!
Mas a Lei Rouanet existe é para isso, e ela não é mecenato com dinheiro público, é o que me dizem, e em parte concordo, mas ocorre que tal lei faculta pessoas, se não me engano apenas jurídicas, a financiarem projetos culturais aprovados pelo governo, abatendo tais valores de suas obrigações tributárias, na chamada renúncia fiscal e que, para mim, continua sendo dinheiro público financiando iniciativa privada, ainda que de viés cultural e com eventual interesse público!
Nada tenho contra a Lei Rouanet, mas se ela é criticada por antas da Direita em relação a consagrados autores, imaginem o pau que vou levar em minha moleira de “escritor” desconhecido? E com a agravante de eu ter sido deputado federal, pois aí é que o pau come em meu corpo inteiro!?!
Não sei, mesmo por que ainda não me dei ao trabalho de saber se países capitalistas bancam escritores com dinheiro público e se os pretensos financiados podem, por exemplo, tacarem o pau nos mecenas com dinheiro do povo, portanto dinheiro alheio? Vixe!, pois se esse não for o critério, projeto meu jamais seria aprovado!
E por falar em projeto, eu nunca projetei escrever os milhões de páginas que escrevi desde criança – exceto as por dever de ofício. Simplesmente travo se me pedem um projeto, de modo que até mesmo a Lei Rouanet para mim é entrave.
Enfim, seria muita pretensão de minha parte me preocupar se estou sendo egoísta em não levar a lume e a lentes dos que enxergam pouco os meus guardados literários, pois nem eu próprio costumo achar que eles possam contribuir no contexto de uma Literatura, como a brasileira, uma das mais estupendas do mundo!
Resumo da ópera. Mais um Dia do Escritor se foi, sem que eu me considere digno de assim ser chamado, que me perdoem as minhas confreiras e meus confrades da ALVA, a Academia de Letras do Vale do Jequitinhonha e que tenho a honra de fazer parte dela!
A eles os meus cumprimentos pelo dia de ontem!

