Créditos: Em Altamira, no Fórum da Transamazônica
12-06-2026 às 08h43
Direto da Redação*
Publicado pela Baobá Edições e prefaciado pelo jornalista, advogado e escritor Mauro Bomfim, o livro reúne, em 378 páginas, uma série de crônicas produzidas entre 1997 e 1998, período marcado por disputas territoriais, conflitos envolvendo garimpeiros, mineradoras e o Estado, além do avanço do tráfico de drogas na região amazônica.
O título faz referência a um apelido atribuído pelos indígenas aos homens brancos e antecipa o tom direto e testemunhal da narrativa construída por Altino Machado ao longo do livro.
Mais do que um conjunto de relatos memorialistas, Os Bundas Doidas apresenta ao leitor uma imersão na Amazônia profunda, resultado da experiência vivida pelo autor em décadas de circulação pela região.
“Percorri milhões de quilômetros quadrados de floresta, convivi com sua gente e o Rio Amazonas com seus mais de mil afluentes”, escreve José Altino Machado no prólogo da obra.
O autor também destaca o cuidado na construção dos textos e a responsabilidade ao revisitar personagens, histórias e acontecimentos reais. “Pensei, repensei, escrevi, destruí, reescrevi, com a responsabilidade de quem vai expor vidas. Sem me preocupar em omitir as melhores ou piores experiências e emoções. Vivendo, também aprendi que na Amazônia, as pessoas valem pelo são e não pelo que têm”, afirma.
Distante da ficção tradicional, o livro assume caráter documental e jornalístico. “Não escrevi romance. As crônicas contam a história. Não há um personagem condutor dos fatos, eles aparecerão e sumirão”, define o escritor.
Ao longo das páginas, a obra aborda episódios que revelam contradições históricas e sociais da Amazônia brasileira, expondo situações de violência, omissão institucional e disputas por território e poder.
Para José Altino Machado, um dos aspectos mais impactantes do livro está justamente na atualidade dos acontecimentos narrados. “O relevante, com desagradável ou feliz surpresa, deverá ser a constatação de que foi possível, até por omissão, que os eventos relatados acontecessem em um ‘estado organizado’ e continuem acontecendo neste nosso Brasil”, observa.

A deputada Sílvia Wanapi, em Altamira, no Pará, durante o Seminário sobre a Transamazônica, quando do lançamento do livro “Os Bundas Doidas”, de José Altino Machado, articulista do DIÁRIO DE MINAS.

