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26-08-2026 às 11h25
Roberto Morais*
Faço hoje um imperativo questionamento sobre o comportamento dos motociclistas,
motoqueiros, motoboys e afins. Volto à década de 1970, mais precisamente em 1976, ano em
que a Moto Honda da Amazônia se instalou em Manaus. Até então todas as motocicletas
circulantes no país eram importadas, caras e em muito pouco número em comparação aos
carros, vivi essa época e lembro bem. Os financiamentos eram raros e de prazos curtos,
fazendo com que poucas pessoas pudessem compra-las.
Atrevo-me a afirmar que até 15 anos atrás, a conduta da maioria dos condutores de
moto era “aceitável” e a convivência com eles no trânsito podia ser administrada. Infelizmente
de lá para cá isso mudou muito e um fenômeno começou a ganhar força, acelerou
incrivelmente nos últimos 5 anos e ganhou contornos de tragédia, para usar uma palavra só.
O crédito para compra de motocicletas explodiu, os prazos de financiamento esticaram e
comprar tal veículo ficou bastante facilitado. Isto não constituiria um grande problema se não
fosse pelos comportamentos que presenciamos.
Vamos aos dados. Levantamentos recentes (2025) mostram que mais da metade dos
40 milhões de veículos de 2 rodas circulantes no país são operados por condutores não
habilitados (começamos mal). O exame prático para obter a carteira de habilitação é de dar
dó. Faz-se uma prova num ambiente fechado, artificialmente desenhado, sem qualquer
contato com o trânsito da vida real. E se a vida real não faz parte do exame, não terá sido
treinada em aulas de autoescolas. Não ser treinado em via pública é só o começo do problema,
a gravidade maior e mais preocupante é a falta de fiscalização da Polícia Militar e guardas
municipais quanto à habilitação, licenciamento, estado geral e, principalmente,
comportamento e respeito às regras de circulação e conduta, matérias desconhecidas pelos
não-habilitados e desprezadas pelos habilitados.
Qualquer morador de cidades maiores vê corredores se formando entre os carros
quando os semáforos fecham. O CTB (Código de Trânsito Brasileiro) é criminosamente omisso
em relação ao uso desses corredores, espaços muito ocupados por um motivo simples, a
quantidade astronômica de motocicletas não caberia de outra forma. É quando o sinal abre
que o caos se estabelece, onde é cada um por si e o Diabo por todos. A falta de fiscalização nas
ruas propicia um tsunami de horrores. Motos barulhentas, com faróis altos (ou sem farol
algum) o tempo todo e costurando o fluxo se tornaram lugar-comum. As buzinadas constantes
avisam que os “donos da rua” estão chegando, abramos o caminho porque estamos
atrapalhando. Essa turma fura sinal, sobe nas calçadas, anda pela contramão e comete outras
barbáries sem a menor cerimônia. Não bastasse, o poder de aceleração desses veículos é
incompatível com a velocidade do fluxo de trânsito predominante, motivo pelo qual por
muitas vezes não os vemos, posicionados frequentemente nos pontos cegos. Esse é o novo
jeito de guiar motos no Brasil.
Precisamos de uma força-tarefa poderosa para começar a tentar resolver essa
pandemia de atrocidades porque está se tornando inviável transitar civilizadamente nas
grandes cidades. Proponho uma sequência de prioridades a ser debatida:
- Num primeiro momento, fiscalização ostensiva nas ruas para averiguação de
documentos do condutor e da motocicleta (já tiraria de circulação incríveis 50%). - Blitz diárias em horários, dias e locais alternados para checagem de condutores
(capacetes com intercomunicadores – proibidos –, calçados, vestimentas) e veículos (pneus,
escapamentos, lâmpadas, faróis e acessórios maiores que o permitido). Guincho e
recolhimento de acordo com o CTB. - Viaturas descaracterizadas nas ruas para flagrantes de comportamento e objetos
transportados (acreditem: escadas, enxadas, capacetes nos braços, sacolas, fora crianças
pequenas). - Mudanças no formato do exame prático.
A situação é grave e só tende a piorar, precisamos agir!
Email: roberto.morais80@gmail.com
Contato: (31) 9 8040-4015
* Formado no Curso De Pilotagem Marazzi (SP)
* Graduado em Educação e Segurança de trânsito pela Universidade Cândido Mendes
* Ex professor de Legislação de Trânsito e Direção Defensiva nos cursos de Psicólogo
* Perito e Psicologia Aplicada ao Trânsito.

