Créditos: Divulgação
28-08-2026 às 08h43
Daniela Rodrigues Machado Vilela*
Talvez, o normal da vida seja o desequilíbrio. Equilibrar-se pressupõe uma inteligência aplicada às circunstâncias e como lidar com estas. Há uma cadeia causal de acontecimentos e não é tarefa fácil quebrar, em alguma medida, o fluxo do caos que ora se instala. Para isto, faz-se necessário haver mudança de rota.
Se autoconhecer, profundamente, trata-se de uma epifania. Para além, é vital possuir disposição para evoluir e estar atento às reações desarrazoadas no cotidiano.
Há vários elementos subjacentes ao longo da trajetória de uma vida, como: diferenças de opiniões, visões de mundo e maneiras dispares de lidar com circunstâncias, tragédias e acontecimentos. Como diz a máxima: é diante do fogo que os metais preciosos devem se provar. Em ocasiões normais de temperatura e pressão tudo caminha bem, mas é quando tudo sai da rota, quando a vida vira de cabeça para baixo, que é importante saber lidar e contornar as adversidades, ficar bem, mesmo diante do caos externo.
Existem diferenças entre os sujeitos: opiniões, modos de compreensão da vida e dos fatos, divergências políticas, ou seja, formas diversas, ora latentes, ora declaradas, de ser e agir. Também, as sementes da discórdia, estão presentes, nem sempre atuantes, estão à espreita, esperando oportunidade para germinar. A questão é: o que você pretende cultivar? Em momentos de tensão, algo mínimo, pode catalisar as emoções e eclodirem conflitos. A questão é: se o indivíduo aplicar sua inteligência prática, talvez, consiga se livrar de situações de caos generalizado e manter seu bem-estar. É tarefa árdua estabilizar as circunstâncias quando sobressaem disputas e desacordos.
A missão de todo ser humano é em busca do próprio aperfeiçoamento, tenha este conhecimento ou não disto. A emoção é mais forte que a razão. A tarefa é tentar racionalizar os instintos. Emoção é bicho solto, que recebe as rédeas da ética. A luta do homem, historicamente, é contra outro homem. O ser humano é um animal com consciência que luta pela própria sobrevivência e deve racionalizar suas escolhas, se humanizar e agir de modo ético e probo nas suas condutas diárias.
Nem tudo é sobre o próprio individuo, sua história e jornada. O mundo não gira ao redor do homem, este não significa, diante da grandeza do universo tanto assim.
Todos têm sua parcela de vida fake, uns mais, outros menos. Nem sempre dá para escancarar a realidade nua e crua. O que parece perfeito, por vezes, quando se vê de perto, é vida de plástico, de mentira. A verdade é que a vida humana é um desafio diário.
A cultura ocidental contribui para a sensação de incompletude e falta de conhecimento sobre as virtudes humanas. Isto porque, trata-se de um modelo que valoriza bens materiais, posses, prestígio e posição social. Não obstante, não se leva em conta a importância singular da inteligência prática e emocional aplicada à vida.
Não são preparadas as pessoas para a morte ou o desapego material. Estão todos condicionados a luta por sucesso, realização profissional, dinheiro, emprego, carro ou casa. Claro, que não dá para se esquecer dos objetivos materiais, pois a vida que se conhece é a da matéria. Porém, se o indivíduo não se trabalha emocionalmente, torna-se um peso para a sociedade, seu entorno, familiares e como colega de trabalho também.
Enfim, inteligência prática é aplicar conhecimentos e aprendizados de modo eficaz, de forma que se faça possível resolver questões diárias aperfeiçoadamente e, assim, alcançar uma vida mais plena, transformando teorias em ações concretas que otimizem o modo de resolução dos problemas. Inteligente é quem trabalha pelo autoconhecimento e aplica seu arsenal teórico em busca de realizações na práxis diária.
*Doutora, Mestra e Especialista em Direito pela UFMG. Cursou Residência Pós-Doutoral pela também UFMG com financiamento público da FAPEMIG. Presidente da Comissão de Direito Premial Trabalhista, Compliance e Inteligências Aplicadas da OAB-MG. Professora Universitária. Pesquisadora com ênfase em Filosofia e Direito do Trabalho. Autodidata na arte da pintura e da vida.

