O Melhor Som do Mundo - Crédito Navi: Divulgação
29-10-2026 às 12h26
Fábio Gomides*
Ampliar o acesso ao cinema, diversificar o repertório audiovisual das novas gerações e transformar a experiência de assistir a filmes em uma oportunidade de encontro, descoberta e formação cultural. Essa é a proposta do Festival NAVI – Narrativas Audiovisuais para Infâncias, que realiza sua primeira edição entre os dias 6 e 15 de novembro de 2026, em Belo Horizonte. Com programação inteiramente gratuita, o evento reúne 35 filmes, que poderão ser assistidos pela internet, além de promover mostras presenciais em diferentes regiões da capital mineira e oficinas educativas. Idealizado pelo Grupo Girino, o festival busca ampliar os espaços de circulação de produções audiovisuais destinadas ao público infantojuvenil, valorizando a diversidade de narrativas, linguagens e representações das infâncias. O projeto é realizado com recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte, por meio do Edital BH nas Telas 2024.
Um dos principais diferenciais do NAVI é a proposta de descentralização cultural. Em vez de concentrar as exibições exclusivamente nas salas tradicionais de cinema, o festival promove um circuito de mostras que contempla centros culturais localizados em diferentes territórios de Belo Horizonte, incluindo as regiões do Barreiro, Pampulha e Venda Nova. A programação também terá uma sessão no Cine Humberto Mauro, no Palácio das Artes, além da disponibilização dos 35 filmes no canal oficial do evento no YouTube durante os dez dias de realização.
A iniciativa surge em um contexto no qual o consumo de conteúdos audiovisuais por crianças e adolescentes é cada vez mais frequente, mas acontece, em grande parte, de maneira individualizada e mediada pelas plataformas digitais. Ao estimular experiências coletivas de exibição, o NAVI pretende ampliar as possibilidades de contato desse público com produções que nem sempre encontram espaço nos circuitos comerciais.
Para a diretora de produção do festival, Iasmim Marques, a proposta é reconhecer a multiplicidade das infâncias e garantir que diferentes públicos tenham acesso a narrativas capazes de dialogar com suas experiências e apresentar novas perspectivas sobre o mundo.
“Vivemos um momento em que crianças e adolescentes estão cada vez mais conectados ao audiovisual, mas esse consumo acontece, muitas vezes, de forma individualizada, fragmentada e mediada por algoritmos. Ao mesmo tempo, ainda são poucos os espaços dedicados à exibição de filmes pensados para esse público, especialmente aqueles que valorizam a diversidade de olhares, a representatividade e a experimentação estética”, observa.
De acordo com a diretora, a realização de mostras em diferentes territórios da cidade também representa uma oportunidade de superar barreiras de acesso à cultura. “O cinema pode e deve ser democrático, ocupando muitos espaços, promovendo encontros, despertando novas perspectivas e garantindo que a cultura esteja cada vez mais presente no cotidiano das infâncias”, destaca.
Diversidade de narrativas e novos olhares sobre as infâncias
Com curadoria assinada por Layla Bráz, Sávio Leite e Tiago Almeida, a seleção dos 35 filmes foi orientada pela diversidade de técnicas, linguagens, propostas estéticas e temáticas. A programação busca apresentar diferentes perspectivas sobre a infância, explorando narrativas que dialogam com questões como convivência, identidade, desigualdade, amizade, meio ambiente e descobertas.
O curador Tiago Almeida explica que um dos principais desafios desta primeira edição foi construir uma seleção que reconhecesse a complexidade das experiências infantis, sem limitar o cinema destinado às crianças a fórmulas narrativas convencionais.
“Buscamos obras que estimulassem a imaginação, despertassem a curiosidade e oferecessem diferentes maneiras de perceber e interpretar o mundo. Também valorizamos a pluralidade de personagens, contextos, culturas e experiências, entendendo que não existe uma infância única, mas muitas infâncias, atravessadas por diferentes realidades e contextos”, afirma.
Entre os destaques da programação está O Jardim Mágico, animação que aborda a generosidade, a amizade, o diálogo e a preservação ambiental. A produção utiliza recursos estéticos da animação para construir uma narrativa que também propõe reflexões sobre justiça e responsabilidade coletiva.
Outro destaque é o curta-metragem mineiro Não é sobre pastéis, produzido em Belo Horizonte. Ambientada em uma escola, a animação utiliza uma situação aparentemente cotidiana, envolvendo a venda de pastéis na cantina, para abordar as diferenças sociais entre estudantes pagantes e bolsistas. A narrativa constrói uma metáfora sobre exclusão, privilégios e desigualdades estruturais.
Para Tiago Almeida, o contato com obras que não estão disponíveis no circuito comercial representa uma das principais contribuições do festival. “Queremos que o festival seja uma oportunidade de encontro, encantamento e descoberta, mas também de reconhecimento: que cada criança possa encontrar nas telas experiências próximas da sua realidade e, ao mesmo tempo, conhecer realidades diferentes da sua”, explica.
Cinema e educação: oficinas ampliam a experiência do festival
Além das exibições, o NAVI ainda terá contará com uma programação formativa que aproxima crianças, adolescentes e educadores dos processos de criação audiovisual. As atividades incluem oficinas de animação, experimentações com técnicas artesanais e práticas voltadas à utilização do cinema como ferramenta pedagógica.
Uma das atividades abertas ao público é a oficina Cinema de Papel, que será realizada no dia 14 de novembro, das 13h às 17h, no Centro Cultural São Geraldo. Ministrada por Alice Cabral, Emanuelle Souza e Julia Souto, a oficina é destinada a participantes a partir de 15 anos e propõe uma experiência prática de criação audiovisual utilizando desenhos, recortes, ilustrações e técnicas de animação. Os participantes poderão acompanhar diferentes etapas de produção, desde a concepção de uma cena até sua filmagem e edição com ferramentas acessíveis. A atividade é gratuita, com inscrições até o dia 11 de novembro.
O festival também promove a oficina Brincando de Animação: Brinquedos Ópticos, conduzida por Sofia Catarina. A proposta é apresentar às crianças alguns dos princípios que deram origem ao cinema e à animação, por meio da construção de brinquedos como o taumatrópio e o zootrópio.
Já a oficina Cinema na Educação, ministrada por Iasmim Marques e Tiago Almeida, é voltada a adultos e educadores. A atividade aborda possibilidades de utilização do audiovisual no ambiente escolar, incluindo técnicas de produção de vídeos com estudantes, desenvolvimento de projetos multidisciplinares e práticas relacionadas à inclusão e ao combate ao bullying.
Essas duas oficinas serão realizadas em escolas, mediante agendamento prévio. As instituições interessadas ainda podem consultar a organização sobre eventuais possibilidades de participação, conforme a disponibilidade.
Grupo Girino amplia atuação no audiovisual para as infâncias
O Festival NAVI é uma idealização do Grupo Girino, produtora multimídia fundada em 2006, em Belo Horizonte, que desenvolve trabalhos nas áreas de audiovisual, animação e narrativas com protagonismo infantojuvenil.
Ao longo de sua trajetória, o grupo construiu um portfólio que inclui curtas-metragens, videoclipes e conteúdos educacionais, com uma linguagem marcada pelo diálogo entre técnicas artesanais, bonecos e animação digital. A produtora também realiza o projeto Cine Varal, cineclube que chega à sua quarta edição, promovendo experiências de exibição cinematográfica em sua sede.
Atualmente, o Grupo Girino também participa da coprodução de um longa-metragem de ficção e coordena um núcleo criativo voltado ao desenvolvimento de duas séries de animação, ampliando sua atuação no fortalecimento do cinema independente.
Com expectativa de alcançar um público de aproximadamente 5 mil pessoas, considerando as visualizações on-line e a participação nas mostras presenciais e oficinas, o NAVI pretende estabelecer um novo espaço de difusão, reflexão e formação audiovisual voltado às infâncias.
FICHA TÉCNICA
Idealização: Grupo Girino
Curadoria: Layla Bráz, Sávio Leite e Tiago Almeida
Produção Executiva: Iasmim Marques
Coordenação de Produção: Bárbara Navarro e Maikon Rangel
Produtora: Larissa Neves
Mediação: Márcio Vesoli
Educadora: Sofia Catarina
Identidade Visual: Tiago Almeida
Ilustração, animação e teaser: Bruno de Souza
Gestão Financeira: Bárbara Navarro
Assessoria de Comunicação: A Dupla Informação
Redes sociais: Bruno de Souza e Patrícia Coelho
Fotografia: Glênio Campregher
Filmagem: Viagem Audiovisual
Acessibilidade: Scriptus Comunicação
Programação presencial Festival NAVI – Narrativas Audiovisuais para Infâncias
6 de novembro | Sexta-feira
● 14h – Mostra de Exibição
● Centro Cultural São Bernardo – Rua Édna Quintel, 320, São Bernardo
9 de novembro | Segunda-feira
● 14h – Mostra de Exibição
● Cine Humberto Mauro – Avenida Afonso Pena, 1537, Centro
10 de novembro | Terça-feira
● 10h – Mostra de Exibição
● Centro Cultural Salgado Filho – Rua Nova Ponte, 22, Salgado Filho
● 14h – Mostra de Exibição
● Centro Cultural Vila Santa Rita – Rua Ana Rafael dos Santos, 149, Vila Santa Rita, Barreiro
11 de novembro | Quarta-feira
● 10h – Mostra de Exibição
● Centro Cultural Pampulha – Rua Expedicionário Paulo de Souza, 185, Urca
13 de novembro | Sexta-feira
● 10h – Mostra de Exibição
● Centro Cultural Venda Nova – Rua José Ferreira dos Santos, 184, Jardim dos Comerciários
14 de novembro | Sábado
● 13h às 17h – Oficina Cinema de Papel
● Centro Cultural São Geraldo – Avenida Silva Alvarenga, 548, São Geraldo
● Público: a partir de 15 anos
● Inscrições gratuitas até 11 de novembro
Serviço
Festival NAVI – Narrativas Audiovisuais para Infâncias
Quando: 06 a 15 de novembro de 2026
Onde: Centros culturais de Belo Horizonte, Cine Humberto Mauro e canal oficial do festival no YouTube
Programação Gratuita
Site: www.festivalnavi.com.br
Instagram: @festivalnavi
YouTube: www.youtube.com/@FestivalNavi
Idealização e realização: Grupo Girino
Curadoria: Layla Bráz, Sávio Leite e Tiago Almeida

