Créditos: Divulgação
20-08-2026 às 08h46
Daniela Rodrigues Machado Vilela*
Autodidata é aquele que aprende por si próprio, por iniciativa pessoal, de modo que não requer, necessariamente, de um professor ou tutor para ensinar-lhe. Corresponde a indivíduos que buscam conhecimentos, métodos de aprendizagem, organização, disciplina e planejamento sem intervenção de terceiros, que se motivam por conta própria e vão em busca dos próprios voos, não estando limitados a uma esfera de aprendizados advindos de fontes e espaços formais de educação. Sendo que, o maior desafio é deixar de lado a preguiça, a procrastinação e se dispor de forma dedicada e autônoma a aprender.
A aquisição de instrução de modo independente, pressupõe definir um plano de estudos que contenha as ferramentas a serem utilizadas e que estas funcionem do modo mais aperfeiçoado.
A internet disponibiliza uma série de informações, não obstante, é preciso escolher, selecionar, filtrar. Aquele que se dispõe a aprender por conta própria transforma a si mesmo, pois deixa de depender de um conhecimento que lhe chegue pronto às mãos e cria ferramentais para alargar seus horizontes, expandindo-os.
O autodidata exige o melhor de si, lê, escreve, relaciona conteúdo, conversa com mestres, ouve e discute sobre assuntos diversos. Tem prazer e apreende conteúdos por onde passa. Vive em processo de aprendizagem constante, busca compreender os acontecimentos e seus desdobramentos.
O sujeito envolvido num processo de aprender contínuo e autônomo cria estratégias para assimilar os conteúdos, se dispõe a ler obras de destaque, troca impressões, realiza leitura de modo contínuo, ouve especialistas e busca por aprimoramento.
Um dos grandes desafios das salas de aula é que deveriam ser fóruns de discussões e, para isto, necessitariam os alunos de “a priori” ter estudado os conteúdos. Porém, uma parte dos discentes, são como filhotes com a boca aberta, esperando que o conhecimento seja fornecido por parte dos professores.
Não pretendem os alunos, em sua maioria, desbravar o mundo através do estudo dos seus fenômenos. Isto, infelizmente, apequena o processo de ensino-aprendizagem, pois o estudante deveria ir para a sala de aula sabendo as linhas mestras do conteúdo programático e, assim, manifestar dúvidas e avançar com o conhecimento, mas não é isto que ocorre muitas vezes.
Para extrair o melhor de si faz-se necessário assistir vídeos, ler, escrever, conversar com pessoas que agregam, ouvir especialistas nas áreas de estudo. Também, tutoriais podem ser úteis, videoaulas, podcasts, trocar pontos de vista, externalizar pensamentos, selecionar, reagrupar as informações e interconectá-las. Enfim, é indispensável e salutar, aumentar o repertório.
Diálogos inteligentes sobre assuntos instigantes oxigenam os pensamentos, trazem novas ideias e estimulam o aprendizado de coisas diferentes.
A curiosidade de entender sobre um novo assunto, se inteirar, propicia um aprender renovado. Ademais, é importante descobrir o ainda não explorado, trocar ideias, conversar com conhecedores do assunto objeto de estudo e, desta feita, se dispor a aperfeiçoar os conhecimentos que já se têm acumulados e sedimentados por meio de estudos e experiências.
Quem está em processo de contínua aquisição de conhecimento deve ser curioso, atento, criar as próprias conexões, despertar para um mundo rico em cores, informações, conteúdos, conexões e possibilidades. Desta feita, agregar a seu mundo inúmeras nuances e contornos.
Ser autodidata requer disposição e coragem, pois estudar por conta própria pressupõe uma curva de aprendizagem, uma vez que, se evolui e aperfeiçoa o desempenho ao se repetir uma tarefa. Afinal, quanto maior o tempo de dedicação melhor o desempenho e performance alcançado pelo estudante. Praticar repetidamente é fulcral.
Enfim, viver de modo pleno exige dedicação e mãos à obra. Não espere por um ensino pronto e acabado. O professor é um facilitador, mas todos necessitam estudar por conta própria, a aprendizagem se aperfeiçoa quando o aluno é partícipe do processo e não apenas mero expectador.
*Doutora, Mestra e Especialista em Direito pela UFMG. Cursou Residência Pós-doutoral pela UFMG com financiamento público FAPEMIG. Professora Universitária. Diletante na arte da pintura e da vida.

