Créditos: Divulgação
14-04-2026 às 17h49
Marcelo Boero*
Abril marca, no calendário corporativo e institucional, um período de alerta para um problema estrutural do mercado de trabalho brasileiro: a segurança ocupacional. A campanha Abril Verde, dedicada à prevenção de acidentes e doenças relacionadas ao trabalho, ganha força em meio a indicadores que ainda expõem fragilidades na gestão de riscos dentro das empresas. A iniciativa, criada para estimular a conscientização coletiva, coloca em evidência a necessidade de políticas contínuas de proteção à saúde do trabalhador.
Os números reforçam o tamanho do desafio. Dados do Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho apontam que o Brasil registrou 724.228 acidentes de trabalho em 2024, com predominância de ocorrências típicas dentro do ambiente laboral. Em outra frente, levantamento do mesmo sistema indica que, entre 2012 e 2024, o país acumulou cerca de 8,8 milhões de acidentes e 32 mil mortes relacionadas ao trabalho formal. O volume expressivo de casos evidencia não apenas falhas operacionais, mas também lacunas na cultura preventiva.
“A proposta do Abril Verde tem respaldo justamente na mudança desse cenário. A campanha estimula empresas a adotarem práticas mais rigorosas de compliance trabalhista, investimentos em ergonomia e programas de gestão de riscos”, afirma a especialista em desenvolvimento humano Vania Ferrari. A profissional defende que a prevenção exige integração entre liderança, equipes de segurança e colaboradores, com protocolos claros e fiscalização efetiva. “O tema também avança como pauta estratégica, já que acidentes impactam diretamente produtividade, custos operacionais e reputação corporativa”, afirma.
“A segurança no trabalho precisa ocupar o centro da estratégia das empresas, não apenas como obrigação legal, mas como valor institucional”, reforça Anna Nogueira, especialista em práticas de ESG e gestão de mudanças. Para ela, “organizações que estruturam uma cultura preventiva consistente registram menos afastamentos, maior engajamento e melhores resultados sustentáveis”.
Apesar dos avanços normativos, o ambiente de trabalho ainda convive com subnotificação de casos e dificuldades na identificação de doenças ocupacionais, sobretudo aquelas de evolução silenciosa. O desafio passa pela consolidação de uma cultura organizacional que priorize a vida e a integridade física acima de metas de curto prazo. Nesse contexto, o Abril Verde se posiciona como uma data que fomenta debate e ação, ampliando a visibilidade de um tema que demanda atenção permanente nas empresas.
Vania Ferrari nasceu em 1971, na cidade de São Paulo. Formada em Comunicação Social, pós-graduada em Neurociência e MBA em Gestão de Pessoas, atuou por trinta anos como executiva de grandes marcas. Em 2013, abriu uma empresa de treinamento e desenvolvimento, com sua esposa Anna Nogueira. Atualmente, ministra cursos, palestras e workshops mundo afora. Já passou por países como Japão, Singapura, Tailândia, Estados Unidos, França, Chile, Peru, entre outros.
Anna Nogueira é especialista em Práticas ESG, ODS e sustentabilidade na estratégia de negócios. É bióloga, pós -graduada em marketing, especialista em gestão do conhecimento, sustentabilidade e inovação. Com uma carreira multidisciplinar, atuou em grandes marcas, nas áreas de atendimento ao cliente, qualidade, processos, gestão de projetos, comunicação, gestão do conhecimento, curadoria e suste

