Créditos: Divulgação/IA
28-06-2026 às 17h48
Amauri Meireles*
O debate sobre o futuro do Brasil costuma ser tomado por paixões partidárias, visões de curtíssimo prazo e pela lembrança de outros fatores, que travam o pleno desenvolvimento de nosso país, p.ex.: a corrupção e a má gestão pública, que drenam recursos essenciais; o foco político em interesses próprios e agendas egocêntricas, que destroem o planejamento de longo prazo; a cidadania incompleta, gerando um desequilíbrio social, onde a cobrança por direitos supera o cumprimento dos deveres.
Logo, ao projetarmos o horizonte de 2027, urge que se reconfigure o Estado brasileiro sob o prisma da utilidade máxima, abandonando as disputas ideológicas em favor de uma estrita racionalidade técnica.
Não há mais tempo para improviso; precisamos de um planejamento alicerçado na efetividade e na moralidade alocativa.
Para essa transformação sair do papel, sugere-se que a governança deva ser estruturada pela chamada “Matriz EGE” – focada em Estrutura, Gestão e Efetividade – e guiada pelo “Pentágono da Convergência Interativa” (PCI). Este modelo propõe o fim das vaidades e dos feudos ministeriais através de cinco princípios: Sintonia com os anseios reais da sociedade – Sincronia de execução – Sinergia sem vaidades – Causa, Causalidade e Efeitos na mesma linha de ataque – Solidariedade federativa.
A nova arquitetura governamental deve apoiar-se em dois vetores fundamentais: o da Proteção – focado na garantia irrenunciável da Soberania, na ordem pública, na segurança jurídica e na higidez sanitária – e o do Progresso – direcionado à maximização das capacidades produtivas do país, à transição tecnológica, à interação logística e à emancipação do nosso capital humano.
Para sustentar esses pilares, o Estado precisará encarar desafios transversais inadiáveis. O Brasil deve deixar de ser um coadjuvante passivo para assumir seu papel de potência com pragmatismo comercial, ao mesmo tempo em que antecipa a inevitável transição demográfica – repensando a previdência e a economia do cuidado – e constrói resiliência em sua infraestrutura e agronegócio contra as alterações climáticas.
Certamente, uma máquina pública enxuta e implacável em suas entregas exige uma auditoria rigorosa e transversal para, minimamente, erradicar o desperdício sistêmico, o rentismo e a corrupção, comportamentos aviltantes, que, necessariamente, devem deixar de ser endêmicos em nosso país.
A “Moralidade Alocativa” deve ser a regra, impondo a revisão de isenções fiscais ineficientes, contratos superdimensionados e promovendo o corte absoluto de apaniguamentos e privilégios. Assim, será possível garantir a solidez fiscal necessária para grandes investimentos tecnológicos e de infraestrutura.
Neste novo desenho, propõe-se a criação de um Ministério da Governança Estratégica (MGEM) atuando como o “cérebro” da máquina.
O projeto de Estado delineia estruturas ministeriais efetivas.
No campo da Proteção, o Ministério da Salvaguarda Social Integral (MSSI) focará na asfixia financeira do crime organizado, enquanto a Justiça garantirá a segurança dos contratos.
Na diplomacia, o pragmatismo orientará a captação de investimentos condicionados à transferência de tecnologia. Na Defesa, o fortalecimento da Base Industrial de Defesa.
No campo do Progresso, os motores de desenvolvimento atuarão para mitigar o “Custo Brasil” através da logística multimodal, reindustrialização, ampliando o olhar à economia do mar, e agregação de valor aos minerais estratégicos. A educação atuará em tempo integral atrelada à tecnologia, transformando programas de renda em plataformas de emancipação e qualificação, deixando de ser fins em si mesmos.
A relação entre o Estado e a sociedade precisa amadurecer até a instituição de uma “Cidadania Plena e Emancipatória”, priorizando-se a prevenção primária, a par de se exigir contrapartidas formativas e comportamentais para o recebimento de auxílios estatais, extinguindo de vez as práticas de assistencialismo com fins de retenção política, garantida a transparência.
A implementação dessas propostas demandará fases claras, desde ações imediatas de choque institucional até metas de transição nacional a longo prazo. Somente com audácia estrutural, austeridade fiscal e visão de futuro o Brasil de 2027 deixará de ser um gigante adormecido para se tornar uma potência soberana, próspera e justa.
*Coronel Veterano da Polícia Militar de Minas Gerais
Foi Comandante da Região Metropolitana de Belo Horizonte
Membro do Instituo Brasileiro de Segurança Pública
Membro da Academia de Letras dos Militares Mineiros Capitão Médico João Guimarães Rosa

