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10-10-2026 às 09h03
Samir Modad*
Foi o Imperador Constantino, 303 d.C., que deixou de perseguir os católicos e permitiu o culto livre, porque, com a fragmentação do seu império, precisava tentar reunificá-lo.
No Concílio de Nicéia, 325 d.C., Jesus foi tornado Deus, por livre e espontânea pressão do Imperador, sobre os que iriam decidir.
Entretanto, foi o Imperador Teodósio I, em 380 d.C., que tornou a religião católica a religião oficial do Império Romano.
Depois vieram épocas sob o domínio da igreja, mas não é o que se pretende nessa dissertação, in casu, mas daria um bom livro, porém com páginas escritas a sangue.
A igreja não se modernizou, mas seus membros modernizaram-se, até demais.
Padres viraram Pop Stars, vestem jaquetas de 15 mil reais, cobram 300 mil reais por palestra, andam de jatinho, se renderam à luxúria e ao luxo, muito diferente daquele que andava com sandália de couro pregando o evangelho.
Aderiram ao Poder, não ao Poder Divino, mas ao poder mundano.
Recentemente, o Cardeal Dom Odilo “Bórgia”, depois de se encontrar com o Governador e o Prefeito de São Paulo, proibiu o Padre Lancelotti de participar das redes sociais, onde pregava: mais igualdade, fraternidade, tolerância, além de prejudicar o seu trabalho voluntário com os pobres.
Quem pediu ao Cardeal? Todos sabem a resposta. Por que o Cardeal “Bórgia” atendeu aos pedidos? Pelo Poder!
Os neopentecostais, aqueles que não sabem, até hoje, que Israel citado na Bíblia é um POVO e não um LUGAR, apesar de alguns pastores saberem, mas preferem as comissões das empresas de turismo religioso, quando não são donos, já têm projetos de lei prontos para tirar de N.S. Aparecida o título de Padroeira do Brasil.
Depois de vazar que iriam (ou vão, dependendo do resultado de 25 de Outubro) trocar o nome da Padroeira do Brasil N.S. Aparecida, foi feita uma pesquisa sobre essa questão altamente comprovada. O resultado: 46% dos católicos acreditaram, e 44% disseram que era invenção.
Vejam que 44% dos católicos acreditam que os neopentecostais não tentarão mudar o nome, aderiram ao fascismo, com um pé dentro e outro fora da igreja.
Quem são esses católicos? São os que odeiam a CLT, pois têm que pagar todos os encargos legais aos trabalhadores, ou seja, o pessoal do agro e empresários. Para eles, a escravidão não terminou em 1888; querem pagar menos, para agregar mais dinheiro aos seus patrimônios. Isso não deixa de dar uma certa alegria às fábricas de caixões, pois terão que aumentar o tamanho, fazer várias gavetas, para levarem esse dinheiro.
O engraçado é que fascistas, escravagistas não sabem a diferença entre comunismo e socialismo e, quando são vistos nas igrejas, parecem santos; alguns até choram. É comovente de se ver, para quem não os conhece fora das igrejas.
Muitos enchem a igreja de recursos, carros, comidas, pagam dívidas no clero, mas não respeitam a maior conquista dos trabalhadores, a CLT.
Uma espécie de comprar vagas no céu, comum nos séculos XVII e XVIII.
Mas o pior de todos é o pobre de direita, esse é inominável, não se enquadra em nenhuma classificação existente, talvez QI de Naegleria fowleri.
Se acontecer, o preço será pago por várias gerações, é por TODOS, sem exceção do agro, empresários, aposentados, pensionistas, trabalhadores, pela igreja católica que permanece silente, pelos estudantes e, principalmente, pelo pobre de direita.
Eu tinha um vizinho de frente, liderança do antigo PSD, que certa vez me disse um ditado. Eu nunca imaginei que um dia pudesse vir a citá-lo, depois de mais de 50 anos:
”A barata por raiva da formiga, votou no inseticida. No fim morreram todos.
Inclusive o grilo, que votou em branco, e a mosca que decidiu não votar.”
*Samir Modad é jornalista

