Cleitinho, governador eleito convida Gabriel Azevedo para um cargo de primeiro escalão em seu futuro governo - créditos: divulgação
11-10-2026 às 14h00
Samuel Arruda*
Belo Horizonte, 11 de outubro de 2026 — O processo de transição para o novo governo de Minas Gerais ganhou um novo capítulo neste sábado, com a repercussão do convite feito pelo governador eleito Cleitinho Azevedo (Republicanos) ao ex-candidato ao governo Gabriel Azevedo (MDB). O emedebista aceitou participar da equipe de transição e recebeu também o convite para assumir uma secretaria na próxima administração estadual, embora a pasta ainda não tenha sido definida.
A movimentação representa um gesto de aproximação política após a disputa eleitoral e indica a intenção de Cleitinho de ampliar o diálogo com integrantes de outros grupos políticos na preparação de seu governo. As informações foram divulgadas pela imprensa mineira neste sábado, com base em uma reunião realizada na sexta-feira (9), em Belo Horizonte.
Gabriel Azevedo recebeu 237.051 votos, equivalentes a 2,08% dos votos válidos na eleição estadual. Durante a campanha, apresentou propostas para a administração de Minas Gerais que, segundo as informações divulgadas, poderão ser consideradas nas discussões da equipe de transição.
Em manifestação divulgada após aceitar o convite, Gabriel afirmou que pretende contribuir com responsabilidade para a preparação da nova gestão. Ele também se colocou à disposição do vice-governador eleito, Luís Eduardo Falcão (Republicanos), responsável pela coordenação dos trabalhos.
Transição terá foco nas contas públicas e nos municípios
Paralelamente à articulação política, a equipe de Cleitinho começa a estruturar o levantamento de informações sobre a situação administrativa e financeira do estado. O grupo de transição anunciado na sexta-feira é composto por 21 integrantes e reúne profissionais com experiência em áreas como gestão pública, economia, saúde, educação, direito e meio ambiente.
Entre as prioridades anunciadas estão o diagnóstico das contas estaduais e a busca por alternativas para enfrentar as dificuldades financeiras de Minas Gerais. O relacionamento com os municípios também deverá ocupar espaço central nas discussões, diante das demandas das prefeituras por recursos e apoio para a prestação de serviços públicos.
A primeira reunião conjunta das equipes de transição está prevista para 23 de outubro, com a saúde indicada como tema inicial dos trabalhos.
Outro tema que deverá influenciar os primeiros meses da futura administração é a dívida de Minas Gerais com a União. Em declaração divulgada na sexta-feira, Cleitinho afirmou que procurará o presidente Luiz Inácio Lula da Silva caso ele seja reeleito no segundo turno presidencial, marcado para 25 de outubro, para discutir novas condições de renegociação.
Embora tenha declarado apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial, o governador eleito afirmou que pretende negociar com o governo federal independentemente do resultado das urnas. A dívida estadual e a capacidade de investimento do governo mineiro devem, portanto, permanecer no centro das discussões políticas nas próximas semanas.
A composição do secretariado e a definição das prioridades administrativas serão etapas importantes até a posse, prevista para janeiro de 2027. O desafio da equipe de transição será transformar as propostas apresentadas durante a campanha em medidas concretas, considerando a situação financeira do estado e as necessidades dos municípios.
A participação de Gabriel Azevedo amplia o espaço de interlocução na preparação do novo governo, mas ainda não significa a definição de uma aliança política permanente. Os próximos anúncios de Cleitinho e os resultados do levantamento sobre a situação estadual deverão esclarecer os rumos da futura administração.
*Samuel Arruda é jornalista e editor de política

