Créditos: Divulgação
16-09-2026 às 10h26
Direto da Redação*
O mercado de veículos seminovos e usados mantém trajetória positiva em 2026, mas os números de agosto revelam também uma transformação importante no perfil do setor automotivo. Segundo dados da FENAUTO (Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores), foram 12.532.488 veículos negociados no Brasil nos oito primeiros meses do ano, alta de 6,4% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram comercializadas 11.781.360 unidades. A média por dia útil avançou 7,7%.
O resultado mostra a resiliência do mercado de usados mesmo diante de um ambiente de crédito ainda restritivo e de consumidores mais atentos à relação entre preço, financiamento e custo-benefício. O destaque nacional está nos veículos de 0 a 3 anos de uso, segmento que apresentou crescimento de 13,5% no acumulado do ano, acima da expansão do mercado como um todo.
Em Minas Gerais, foram comercializadas 1.539.866 unidades no acumulado de janeiro a agosto, praticamente em linha com o resultado de 2025, quando o estado registrou 1.537.387 veículos negociados. A variação foi de 0,2%, enquanto a média por dia útil cresceu 1,4%, chegando a 9.505 negociações. Somente em agosto, foram 210.967 veículos comercializados no estado.
Em Belo Horizonte, o mercado soma 391.305 veículos negociados em 2026. Somente em agosto, foram comercializadas 53.696 unidades, com média de 2.557 transações por dia útil. Entre os modelos mais negociados em Minas Gerais, o Volkswagen Gol lidera, com 10.664 unidades, seguido pelo Fiat Palio, com 7.480, e pelo Fiat Uno, com 6.953. Em Belo Horizonte, Gol e Palio aparecem empatados na primeira posição, com 1.715 unidades cada, seguidos pelo Hyundai HB20, com 1.478.
ELETRIFICADOS CRESCEM 37,5% EM MINAS GERAIS
Um dos movimentos mais relevantes do mercado mineiro está nos veículos eletrificados. No acumulado até agosto, 10.004 veículos eletrificados foram comercializados em Minas Gerais, contra 7.275 no mesmo período de 2025, uma alta de 37,5%. O crescimento ocorre em um momento de rápida expansão da eletromobilidade no Brasil. Segundo a ABVE, somente em agosto foram 57 mil veículos leves eletrificados emplacados no país, e a frota eletrificada em circulação chegou a 950.183 unidades.
A entidade projeta que a marca de 1 milhão de veículos eletrificados seja alcançada ainda em setembro. Minas Gerais já ocupa a terceira posição entre os estados que mais comercializaram veículos leves eletrificados em agosto, com 4.293 unidades, enquanto Belo Horizonte aparece em terceiro entre as cidades brasileiras, com 2.432 unidades. O movimento chama atenção não apenas pelo crescimento das vendas, mas porque indica que os eletrificados começam a ocupar um espaço cada vez mais relevante também no mercado de veículos usados e seminovos.
MARCAS CHINESAS ACELERAM TRANSFORMAÇÃO DO MERCADO
A expansão dos eletrificados ocorre paralelamente a uma mudança na composição da indústria automotiva brasileira, impulsionada pela chegada e consolidação de marcas chinesas. Em agosto, a BYD alcançou 24.467 emplacamentos no mercado brasileiro de veículos novos, tornando-se a quarta marca mais vendida do país, muito próxima da Chevrolet.
A GWM registrou 9.825 unidades, a Geely 7.525, a Caoa Chery 6.014 e a Omoda & Jaecoo 5.902. Com isso, cinco fabricantes de origem chinesa apareceram entre as 15 marcas mais vendidas no mês. O avanço também já aparece nos rankings de modelos. Em agosto, o BYD Dolphin Mini, BYD Dolphin, BYD Song, GWM Haval H6 e Geely EX2 estiveram entre os veículos mais vendidos do país, mostrando que os novos fabricantes passaram a disputar diretamente segmentos de grande volume.
Nos SUVs médios, a mudança é ainda mais evidente: o GWM Haval H6 assumiu a liderança do segmento em agosto, superando o Jeep Compass, enquanto sete dos dez modelos mais vendidos da categoria eram de marcas chinesas. Para o mercado de seminovos, essa transformação merece atenção. A maior oferta de veículos chineses, associada a preços competitivos, elevado nível de equipamentos e novas tecnologias, tende a influenciar tanto a decisão de compra do consumidor quanto a formação de preços e o giro dos veículos usados.
Ao mesmo tempo, a expansão da frota de eletrificados cria uma nova oportunidade para as revendas, que passarão a receber um volume crescente desses veículos em seus estoques. Isso exige preparação das equipes e conhecimento sobre aspectos como tecnologia, bateria, garantia, manutenção, histórico e valor de revenda.
CENÁRIO ECONÔMICO EXIGE ATENÇÃO DOS REVENDEDORES
O mercado de seminovos segue avançando em um cenário de oportunidades, mas também de desafios. As condições de financiamento continuam exercendo influência importante sobre a decisão de compra, enquanto consumidores e empresas permanecem atentos ao custo do crédito e à relação entre preço e benefício. Segundo o Boletim Focus citado no release, a expectativa de inflação para 2026 recuou de 5,01% para 5%, enquanto a projeção de crescimento do PIB passou de 1,92% para 1,93%. Apesar da melhora marginal nas expectativas, a inflação projetada ainda permanece acima do teto da meta de 24,5%, e os juros seguem elevados.
Para Glenio Junior, presidente da Assovemg (Associação dos Revendedores de Veículos no Estado de Minas Gerais), o desempenho do setor mostra capacidade de adaptação, mas o mercado também passa por uma transformação que exige atenção dos revendedores.
“Os resultados acumulados mostram a força e a importância do mercado de seminovos, mas também precisamos olhar para as mudanças que estão acontecendo dentro desse mercado. O avanço dos eletrificados e a chegada de novas marcas estão modificando a oferta, o comportamento do consumidor e a própria dinâmica de valorização dos veículos. Para o revendedor, acompanhar essas transformações e se preparar para elas será cada vez mais importante.”
A expectativa é de continuidade de um mercado movimentado nos próximos meses, mas com uma dinâmica cada vez mais marcada pela diversificação de tecnologias, pela maior concorrência entre marcas e pela necessidade de adaptação das revendas.

