Créditos: Divulgação
26-08-2026 às 08h38
Daniela Rodrigues Machado Vilela*
Escutar alguém sem interrupções é gesto genuíno de atenção, humanidade e gentileza. Na vida se têm o tempo da fala e o da escuta, isto é oportunidade de aprendizado ímpar.
Ouvir com atenção significa não estar centrado nos interesses apenas pessoais, pressupõe abertura, oportunidade de partilha, acolhimento e generosidade.
Ao ser humano não é ensinado o gesto de ouvir. Existem inúmeros cursos de oratória, mas nenhum que ensine a escutar.
Grandes sábios costumam ouvir com atenção e pouco falar, são pessoas que valorizam o silêncio. Ao ser humano cabe aprender a dizer menos, pausar as falas, escutar profundamente, hesitar em afirmar com veemência ou impor pontos de vista. Dialogar com tempos longos de escuta atenta, observar gestos, olhares e perceber de modo aguçado a subjetividade que se oculta nas entrelinhas.
Nos momentos de quietude existe abertura para um ouvir-se interno revelador. Os diálogos consigo mesmo, nem sempre são conturbações da mente, em muitas ocasiões, são oportunidade de ouvir a própria voz interior, a intuição. Repousos silenciosos são reveladores enquanto oportunidades para desenvolver potencialidades criativas e visualizar a realidade em seus múltiplos aspectos.
É sempre tempo de pensar antes da ação. A vida é pautada pelo resultado das escolhas realizadas. As decisões colocam o indivíduo diante da coragem de assumir resultados. Não é tarefa fácil apostar numa decisão, isto pressupõe lidar com consequências. Fazer opções, posiciona o sujeito, o porvir é imprevisível.
Escolhas mais assertivas costumam ser antecedidas por dedicada reflexão, meditação. Silenciar a ansiedade e equacionar ganhos e perdas é salutar elemento para se engajar no processo de avaliar as variáveis com a finalidade de maximizar interesses.
Quem silencia o caos que vem do externo, consegue ouvir as emoções mais profundas de modo aperfeiçoado. Tranquiliza a si e afasta as angústias.
Conhecer-se é desafiador. Compreender a própria essência é mecanismo para mudança daquilo que pareça necessário. Não se aceitar incondicionalmente nem se odiar por quem se é, corresponde a um gesto de sabedoria. Ser vigilante e buscar o melhor de si, são condições indispensáveis para uma vida satisfatória.
Entender o que lhe habita no íntimo, pensar, ponderar, silenciar, ser cauteloso e não agir por impulso, são virtudes a serem aprendidas.
Ou busca o sujeito se autoconhecer, aperfeiçoar, ou joga debaixo do tapete as decisões para o autoconhecimento. Não enfrentar os próprios fantasmas, pressupõe que ressurgirão em algum momento. A realização de objetivos estabelecidos para um bem-viver depende das escolhas realizadas.
Impulso e planejamento, desejo e ponderação, confiança e medo, todos são elementos suscetíveis de avaliação pessoal do sujeito, pois viver é arriscar. Dúvidas e hesitações compõem a existência humana. Ninguém está imune às dificuldades que marcam, mas não é uma opção se paralisar diante dos obstáculos. Não há perfeição. Algo aconteceu de modo não esperado, tente outras possibilidades. Quem o indivíduo se torna é responsabilidade dele mesmo. Viver é risco, silencie as inquietações, ouça-se, resolva-se. O resto é acidental, eventual, ocasional. Tudo é inesperado e precário. Aposte numa direção!
*Doutora, Mestra e Especialista em Direito pela UFMG. Cursou Residência Pós-Doutoral pela também UFMG com financiamento público da FAPEMIG. Presidente da Comissão de Direito Premial Trabalhista, Compliance e Inteligências Aplicadas da OAB-MG. Professora Universitária. Pesquisadora com ênfase em Filosofia e Direito do Trabalho. Autodidata na arte da pintura e da vida.

