10-06-2026 às 15h40
Samuel Arruda *
A nova tentativa de acordo de colaboração premiada apresentada pelo banqueiro Daniel Vorcaro deverá ser rejeitada pela Polícia Federal, segundo informações divulgadas nesta semana. A avaliação dos investigadores é de que os novos termos oferecidos pelo empresário não apresentam fatos inéditos nem contribuições relevantes capazes de justificar os benefícios previstos em um acordo de delação.
Esta é a segunda vez em menos de um mês que a PF manifesta resistência à proposta apresentada pela defesa de Vorcaro. Em maio, os investigadores já haviam considerado insuficientes as informações fornecidas pelo banqueiro, apontando omissões sobre fatos que já eram de conhecimento das autoridades e ausência de provas capazes de fortalecer as investigações em curso.
De acordo com relatos divulgados pela imprensa nacional, a nova versão da colaboração chegou a mencionar autoridades e agentes políticos, mas, na avaliação dos delegados responsáveis pelo caso, continuou sem apresentar elementos concretos que agregassem valor às apurações. Além disso, Vorcaro não teria detalhado possíveis crimes praticados por parceiros de negócios ou integrantes do esquema investigado.
Nos bastidores da investigação, a interpretação predominante é de que o empresário busca ganhar tempo enquanto aguarda decisões do Supremo Tribunal Federal sobre processos que envolvem ele e familiares. Investigadores acreditam que a estratégia tem como objetivo melhorar sua situação jurídica sem oferecer contrapartidas consideradas relevantes para o avanço das apurações.
Vorcaro é um dos principais alvos da Operação Compliance Zero, investigação da Polícia Federal que apura um suposto esquema de fraudes bilionárias envolvendo operações financeiras, emissão irregular de títulos, lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta e outros crimes contra o sistema financeiro nacional. O caso ganhou enorme repercussão após a liquidação do Banco Master e passou a mobilizar órgãos de controle, Ministério Público e o Supremo Tribunal Federal.
Apesar da provável rejeição da nova proposta, a legislação brasileira permite que o investigado apresente futuras tentativas de colaboração, desde que ofereça informações consideradas relevantes e comprováveis. A palavra final sobre eventual homologação de um acordo caberá ao ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo.
A Procuradoria-Geral da República, por sua vez, continua analisando os termos apresentados pela defesa. Embora exista insatisfação com o conteúdo entregue até agora, integrantes do Ministério Público ainda mantêm aberta a possibilidade de novas negociações caso o banqueiro apresente provas robustas e informações inéditas sobre os fatos investigados.
A expectativa agora é que a Polícia Federal formalize sua posição nos próximos dias, aprofundando um impasse que se tornou um dos capítulos mais sensíveis do escândalo financeiro envolvendo o antigo Banco Master e seus principais executivos.
*Samuel Arruda é jornalista e articulista

