Créditos: Divulgação
19-05-2026 às 13h29
Cida Tavares*
Quando pensamos em acessibilidade, a primeira imagem que costuma vir à mente é a de uma
rampa ou de um elevador. Mas, na verdade, a verdadeira acessibilidade vai muito além das
estruturas de concreto. Ela é a base para que qualquer pessoa possa viver com dignidade,
respeito e, acima de tudo, independência. Criar um mundo acessível significa abrir caminhos para
que todos possam circular, trabalhar e existir sem precisar pedir licença ou depender do olhar de
terceiros.
O coração de tudo: A atitude
Muitas vezes, a barreira mais difícil de vencer não está no degrau de uma calçada, mas sim na
forma como as pessoas interagem conosco. A falta de informação e o preconceito velado criam
obstáculos invisíveis no dia a dia. Acessibilidade atitudinal é justamente mudar essa postura. É
passar a enxergar a pessoa antes de sua deficiência, valorizando sua capacidade técnica e
inteligência, e eliminando aquele sentimento de “piedade” ou os excessos de superproteção que
só servem para limitar o espaço do outro.
O espaço da pessoa com deficiência no mercado de trabalho.
O trabalho é uma das ferramentas mais poderosas de emancipação e autonomia. Quando uma
empresa contrata uma pessoa com deficiência, ela não deve fazer isso por caridade ou apenas
para cumprir uma obrigação legal; ela deve fazer isso pelo talento e pelo potencial profissional ali
presente.
Olhar por outro ângulo: Conviver com barreiras nos ensina, desde cedo, a desenvolver uma
sensibilidade única, grande resiliência e formas criativas de resolver os problemas do cotidiano.
A força do toque e da profissão: Na massoterapia, por exemplo, o tato deixa de ser apenas
um sentido e passa a ser uma ferramenta de alta precisão. Uma pessoa com deficiência visual
consegue desenvolver uma percepção profundamente agurada, transformando o cuidado em
um diferencial técnico de extrema qualidade.
Donos da própria história: Inclusão também significa empreender. Estar à frente do mercado,
criando negócios inovadores e gerando oportunidades, mostra que podemos ser os líderes e
idealistas das nossas próprias ideias.
A cidade sob os nossos pés: Acessibilidade urbana
Para conseguir trabalhar, estudar ou se divertir, o primeiro passo é conseguir sair de casa com
segurança. É aí que entra a importância de termos cidades planejadas de forma humana e
acolhedora. Uma calçada bem cuidada, sem buracos ou obstáculos no meio do caminho, muda
completamente o dia de quem precisa transitar. Os pisos táteis — tanto aqueles que servem para
guiar o trajeto quanto os que alertam sobre um perigo à frente — são essenciais para dar direção
e autonomia a quem não enxerga.
Da mesma forma, os cruzamentos precisam de semáforos sonoros que avisem com clareza o
momento exato e seguro de atravessar, e os pontos de ônibus e prédios públicos devem oferecer
informações fáceis de acessar, seja por áudio ou em braile. A rua deve ser um espaço de
liberdade, e não de medo.
A tecnologia como nossa aliada
No mundo moderno, as ferramentas digitais funcionam como pontes para a nossa autonomia. Um
computador com um bom leitor de tela ou um celular com aplicativos de navegação por voz dão
toda a independência necessária para que um profissional execute suas tarefas no trabalho,
estude e se comunique com o mundo sem nenhuma barreira. Quando os espaços físicos, as
cidades e o ambiente digital conversam entre si de forma simples e inclusiva, criamos um design
que serve para todos, independente da idade ou capacidade funcional de cada um.
*Cida Tavares é Massoterapeuta e Pessoa com deficiência visual, Idealista do projeto “Olhos que não veem, mãos que enxergam”
Este documento foi elaborado para expandir as reflexões sobre acessibilidade urbana, inclusão no mercado
de trabalho e autonomia social.

