Créditos: Divulgação
25-04-2026 às 16h06
Carlos Mota*
Literariamente, sou um escritor de abobrinhas e tenho até um ABOBLOG, onde as cultivo.
Mas, além de comedor e carregador delas em minha cabeça, não apenas as planto, como também dou a elas especial destaque em nosso rancho, muito acima das orquídeas e outras espécies da elite paisagística.
Na foto, o altar de bambu que preparei para elas e no texto, o quanto elas foram importantes para a navegação fanadeira,antes de Cabral substitui-las por suas minúsculas caravelas.
A Idade da Abobora
Assim como há a Idade da Pedra, a Idade do Bronze e a Idade do Ouro, houve a IDADE DA ABOBORA!
Assim como as lagartixas, lagartos, teiús, jacarés e crocodilos de hoje eram, há milhões de anos, maiores do que um jato comercial ou um transatlântico e tinham o apelido de dinossauros, também havia no Planeta Terra frutas gigantescas, maiores até do que o Sobradão de quatro andares da Cidade de Minas Novas.
E por falar naquela cidade que, a exemplo da Grécia, sediou uma avançada civilização, muito antes de o Nosso Amado e Adorado Jesus perder o seu santo tempo tentando consertar a gente, inauguro este Abobrog revelando, primeiramente, a minha condição de abobrólogo, bem assim a importância que essa fruta detinha na pré-história fanadeira.
Cultivada no ubífero Delta do Rio Fanado há milhares de anos e adubada pelo ouro ali abundante, as abóboras pré-fanadisticas incorporaram não apenas o amarelo intenso deste metal, como também a sua resistência, a ponto de chegarem a vinte ou trinta toneladas cada fruta, atingindo altura que chegava a noventa metros e circunferência equivalente à do Mineirão.
Com proporções assim, as abóboras minasnovenses não apenas alimentavam, uma única delas, a milhares de pessoas, como também faziam com que elas atingissem estatura que chegava a onze metros e trinta e dois centímetros, peso de doze antas e uma força descomunal, como prova a letra do Hino a Minas Novas, que fala de uma “raça titânica e forte, cujo o grito reboava em altíssimas penedias e escarpas”.
Dessarte, a natureza é sábia, pois de nada adiantaria criar uma fruta tão gigantesca se não criasse também homens com força suficiente para colhê-las e transportá-las morro acima, onde eram ocas ou ocadas, seu interior transformado em sopa ou farinha e sua gigantesca casca em moradias, prédios públicos, templos, carroções e até em navios.
Sim, por aquele tempo, as atuais ruas de Minas Novas, ao invés de casas, eram formadas por fileiras de abobrões em cujo interior, devidamente separado em salas, copas, cozinhas e quartos, chegavam a morar até cento e vinte fanadeiros e até mais, quando eram empilhadas umas sobre as outras e ligadas por um engenhoso sistema de escadas internas.
Constituídas pelo mais puro ouro, as suas descomunais sementes, algumas com 2,30 por 0,60 m, eram utilizadas na pavimentação das ruas e nos muros de contenção que evitavam verdadeiros dilúvios do Rio Fanado, àquele tempo com uma vazão de 1.800 metros cúbicos por segundo, tal qual o é a do Rio São Francisco, nos dias de hoje.
Lixiviadas por enxurradas abundantes, tais sementes auríferas, dispostas em forma de calçamento, correram por milhares de anos para o leito do Ribeirão Bonsucesso e de lá foram retiradas em 1.727 pelo Bandeirante Sebastião Leme do Prado, levadas para Portugal, que a partir dali se tornou uma das mais ricas nações do Planeta, mesmo que por pouco tempo, uma vez que aqueles milhares de toneladas de ouro foram roubados dos portugueses pelos ingleses e que hoje, obviamente ainda existentes, respondem pela riqueza dos Estados Unidos da América, pois afinal ouro nunca desaparece da natureza, quando muito se transforma!
Pois bem, mas voltemos às ciclópicas e dinossauricas abóboras fanadeiras e o porquê de elas terem desaparecido na história!?
Através de abóboras utilizadas como embarcações, intensa era a navegação entre Minas Novas e o Oceano Atlântico, passando pelos rios Araçuaí e Jequitinhonha. E elas puderam ser vistas na altura de Belmonte, em fins de abril de 1.500, quando ali aportou a Esquadra de Pedro Álvares Cabral.
Aqueles índios que Cabral avistou ali eram na verdade fanadeiros em férias em Porto Seguro, tal qual ainda hoje o fazem, mas Pedro Álvares Cabral obrigou Pero Vaz de Caminha a escrever outra história, inclusive omitindo a presença de abóboras flutuantes dez vezes maiores que aquelas suas caravelas tão chinfrins, pobres e minúsculas.
Àquela altura, Portugal detinha a mais avançada tecnologia na fabricação de navios, naus e caravelas e a primeira providência de Cabral foi acabar com os transatlânticos do Fanado, pois eles com certeza iriam levar à falência a indústria náutica lusitana.
E SÓ SEI QUE FOI ASSIM QUE FORAM EXTINTAS AS ABOBORAS GIGANTES DE MINAS NOVAS!

