Programa do governo, "Minha Casa Minha Vida" tem novos critérios - créditos: Portal Gov. br
25-02-2026 às 17h 40
Samuel Arruda*
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva comentou, após reunião recente, as mudanças em estudo para o programa Minha Casa Minha Vida, destacando que as medidas buscam ampliar o acesso à moradia e fortalecer o crédito habitacional no país.
Segundo Lula, o encontro reuniu integrantes do governo e representantes da Caixa Econômica Federal para discutir ajustes nas faixas de renda e nas condições de financiamento. A proposta é incluir um público mais amplo, alcançando também famílias de classe média.
Entre os pontos debatidos está o aumento do limite de renda para participação no programa, que pode chegar a cerca de R$ 12 mil mensais nas faixas superiores — ampliando significativamente o teto atual, que antes se concentrava em famílias com renda de até aproximadamente R$ 8 mil.
Nas faixas de menor renda, o governo também avalia ajustes:
- Faixa 1: renda de até cerca de R$ 2.640 mensais, com maior volume de subsídios
- Faixa 2: renda até cerca de R$ 4.400 mensais
- Faixa 3 (expandida): podendo alcançar até R$ 8 mil a R$ 12 mil, dependendo do modelo final aprovado
Além disso, está em análise a redução ou revisão das taxas de juros em algumas modalidades de crédito, incluindo linhas voltadas à reforma de imóveis, com condições mais vantajosas principalmente para famílias de menor renda.
Outro ponto central discutido na reunião é o reforço no volume de recursos destinados ao programa. A Caixa Econômica Federal deverá ampliar sua atuação como principal agente financeiro da política habitacional, com previsão de um montante de aproximadamente R$ 120 bilhões em financiamentos imobiliários ao longo do ciclo atual do programa, incluindo recursos do FGTS e da poupança.
A intenção, de acordo com o presidente, é estimular tanto a aquisição quanto a melhoria de moradias, além de impulsionar o setor da construção civil.
“O programa precisa acompanhar a realidade das famílias brasileiras”, afirmou Lula, ao defender a atualização dos critérios de acesso. Ele também ressaltou o papel da Caixa como principal agente operador das políticas habitacionais do governo federal.
Especialistas apontam que as mudanças indicam uma expansão do escopo do programa, que historicamente atende famílias de baixa renda, mas agora passa a contemplar também grupos com maior capacidade de financiamento. Ao mesmo tempo, há discussões sobre o impacto fiscal das medidas, especialmente no que diz respeito aos subsídios necessários para manter juros reduzidos.
Criado em 2009 e retomado com novas diretrizes nos últimos anos, o Minha Casa Minha Vida segue como uma das principais iniciativas habitacionais do país, com milhões de unidades financiadas.
A expectativa do governo é que as novas regras sejam implementadas de forma gradual, com o objetivo de ampliar o acesso à casa própria e contribuir para o crescimento econômico.
*Samuel Arruda é jornalista e articulista

