Créditos: Divulgação
07-04-2026 às 15h39
Direto da Redação*
A soberania nacional de um País como o Brasil não é um exercício apenas teórico, requer o uso da capacidade material para proteger rotas, garantir o trânsito de mercadorias, vigilância do Atlântico Sul e, evidentemente, responder com autonomia às pressões que possam vir de fora.
Na prática, esse exercício desperta-nos a todos para uma reflexão aprofundada sobre a tecnologia e o desenvolvimento da Marinha brasileira, que há décadas encontra-se desprovida.
Evidentemente, isso é temerário porque sem construção naval robusta, sem sistemas próprios de monitoramento, sem satélites, sensores, guerra cibernética, submarinos, meios de negação do uso do mar e capacidade dissuasória compatível com a escala nacional, a defesa marítima permanece incompleta. É o que dizem os especialistas.
Mas nem tão temerário é assim, sabendo que a projeção continental brasileira, tanto pelo tamanho e a profundidade estratégica do seu espaço interno, é um ponto dificultador de uma ocupação militar estrangeira diretamente.
Entretanto, não se pode ser ingênuo ao ponto de achar que essa condição descrita não elimina as vulnerabilidades marcantes no cenário do plano da soberania nacional. Pelo contrário, transfere o problema para o domínio marítimo.
Mas, nenhum de nós pode se iludir porque é no mar e não só na terra onde se acham os pontos da sensibilidade brasileira. Constituem artérias vitais do poder nacional, as linhas de comunicação marítima, por onde circulam exportações, importações, insumos estratégicos, combustíveis, fertilizantes, bens industrializados e fluxos logísticos indispensáveis à reprodução da economia.
São veias vitais do poder nacional, e no caso de haver interrupção, bloqueio ou monitoramento hostil comprometeria não apenas o comércio exterior, mas a própria estabilidade econômica brasileira.
O Brasil é dos brasileiros, mas a economia depende de chamados “circuitos oceânicos” que, evidentemente, não se pode deixar que caiam em mãos estrangeiras. Diante do quadro desenhado, dele salta a importância do fortalecimento da Marinha do Brasil. Não se trata de um capricho corporativo, nem de qualquer outra postura, trata-se de uma condição objetiva do desenvolvimento nacional.
De mais a mais, é necessário o Brasil, por ser uma potência continental, possa garantir o seu entorno marítimo, que permanece exposto. No que se prepara para defender o mar brasileiro, é a mesma coisa de assumir a defesa do trabalho, da indústria, da energia, do abastecimento e, claro, a independência propriamente dita do País nos momentos adversos.

