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02-05-2026 às 11h29
Samir Modad*
O silêncio do tempo já mudou a cor dos meus cabelos; tenho direito de registrar meu pensamento, doa a quem doer, no dizer dos franceses: Je vais le faire, n’en déplaise à qui que ce soit. (**)
Entramos no segundo quartel do novo milênio sem que o tempo tivesse ensinado o caminho da paz, o respeito à soberania dos países, o respeito à liberdade das pessoas.
O poder, que deveria emanar do Direito, subjuga-o no jogo de países poderosos, com interesses unicamente financeiros. Venezuela, Irã e Palestina que o digam.
A revolta nos atinge quando membros e ex-membros dos Poderes Legislativo e Executivo atentam, de forma covarde, contra os interesses do Brasil, levantando bandeiras de suas ignorâncias como causas legítimas: traidores da Pátria!
A violência, decorrente dos desníveis sociais causados pela desigualdade na distribuição de renda, se agiganta.
Ainda existem pessoas que gritam pela volta dos regimes de exceção, sem ter vivido, sem saber, sem estudar o que realmente ocorreu nesses períodos, apenas para satisfazer e apoiar um projeto irresponsável de alguns partidos políticos.
As leis votadas, que nos regimes democráticos seriam fonte legítima da vontade do povo, na maioria das vezes não atendem ao fim colimado.
Aqueles cujas mãos escreveram as suas Constituições são as mesmas que as violentam.
A consciência crítica esbarra em certas instituições que representam o mundo pelo voto de poucos.
A responsabilidade perdeu espaço para a imoralidade, invertendo-se os valores, o que nos leva a um cenário apocalíptico.
Quando a ruptura ocorre, ou é tentada, seus autores já têm suas rotas de fuga traçadas.
Cervantes, em Dom Quixote, disse:
“Moralidade deve haver até mesmo entre os ladrões”
O dilema do ser ou não ser de Hamlet já não é o mesmo no mundo moderno, resumindo-se em:
Ter e ter!
Resta-nos torcer para que todos os princípios e os ideais democráticos sejam coerentes com a lei, pela lei e dentro da lei, para que a ordem jurídica seja garantida.
Eduardo Couture nos ensina: “Lutemos pelo Direito. Porém, quando encontramos o Direito em conflito com a Justiça, lutemos pela justiça”.
Só os jovens podem mudar a direção do mundo, não com um fuzil, mas com seu voto livre, espontâneo, estudado, exaustivamente pensado e, o mais importante, sem nenhuma influência.
Se tudo continuar errado, ainda assim podemos nos acalentar invocando Rui Barbosa:
“Se um dia, já homem feito e realizado, sentires que a terra cede aos teus pés, que tuas obras desmoronam e que não há ninguém à tua volta para te estender a mão… esquece a tua maturidade, passa pela tua mocidade, volta à tua infância e balbucia, entre lágrimas e esperanças, as últimas palavras que sempre te restarão na alma: minha mãe, meu pai, somos-lhes gratos”.
*Samir Modad é jornalista
**Vou fazer isso, gostem ou não.

