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25-06-2026 às 08h10
Carlos Mota*
quem@ma.cuida.com é um endereço eletrônico de onde veio um e-mail para mim ainda na pandemia, mas que ficou em minha caixa postal sem ser lido e hoje quase foi descartado num 5 S ou faxina que eu, sem ter nada de mais útil para fazer, quase o deletei. Sacumé é velho com toques de limpeza! Mas que glória que não o deletei!
Sacumé, meu velho ou velha amiga, me ouça: além de usar gírias fora de uso, como “sacumé” e sermos preconceituosos com “velho” e “velha”, nós, os da melhoridade, também usamos “ouça”, em lugar de “escuta”, mesmo quando estamos nos comunicando digitalmente, não oralmente, como fazíamos antigamente. Então, me leia sobre o que vou falar, ops! escrever:
Não sei se você está se lembrando de que passei dos setenta anos de idade, coisa que creio que você também pode ter passado, embora a foto de seu perfil nas redes sociais, com marcas de ser atualíssima, parece indicar que você só nasceu quando eu estava comemorando Bodas de Prata de meu primeiro casamento, mas isso não vem ao caso, pois o motivo dessa minha missiva eletrônica é mandar notícias minhas e querer saber das suas?
E a saúde, como vai? Não me diga que os seus meninos ainda não saíram de casa, nem lhe deram netinhos? Se sim, experimente os tirar do Atari e das bonecas da Estrela, quem sabe matriculando o Nando num grupo de escoteiros e a Belinha num curso de boas maneiras da Socila? E aquela sua cunhada, balconista da Mesbla, ela ainda mora com vocês… ela enfim conseguiu concluir o Madureza? Tomara que sim?!? Muito bonita, apesar de bobs na cabeça e aquele roupão três números a menos!
E como ficou aquele processo que você moveu contra a Coroa-Brastel, pois o meu contra a MinasCaixa nem saiu da primeira instância? Mas enfim, Sarney tem vigor e virtude pra resolver tudo isso? E por falar em política, o que você acha de um capitão daí, que quis colocar uma bomba no seu próprio quartel, mas que ganhou pra vereador e diz que um dia será Presidente da Republica? Que doideira?
Mas por falar em “doideira”, amigo, o tal e-mail que eu quase deletei trata justamente disso, e à época da pandemia, ele me mandou um questionário me perguntando? 1. Você se veste de Napoleão Bonaparte? 2. Você toca corneta? 3. O pára-brisa de seu carro tem o adesivo “Brasil, ame-o ou deixe-o”? 4. Você não joga fora barbeadores velhos? 5. Você ainda usa pijama de listras? 6. Sua patroa lhe trata como “Esposo”?
De minha parte, amigo, nem sei porquê tais questionamentos me foram feitos, embora naquela pandemia uma fantasma deu de me aparecer aqui na chácara, mas não com as roupas típicas dos ectoplasmas, posto que metida num apertadíssimo uniforme de enfermeira, e ela passou dias e mais dias tentando me meter numa camisinha tão apertada quanto o seu uniforme de enfermeira. Pensa que sufoco?
Mas hoje, após ler o tal e-mail, ele em verdade visava me prevenir da loucura que costuma vir com o avanço da idade, e mesmo você ainda longe desse grupo de risco, sugiro que tome certas cautelas, sobretudo se abstendo de me ignorar, não responder as minhas mensagens e ficar aí fingindo de morto!
De minha parte, agora mesmo mandei pro meu vizinho a minha roupa de Napoleão, joguei fora a coleção de giletes e prestobarbas emprestáveis e emprestei ao meu cunhado aquele snowboard que eu trouxe do Canadá!
Mas não lhe recomendo fazer o mesmo com suas tranqueiras, antes de conversar com o seu psiquiatria.
Viu que te amo, pois quem@ma.cuida, e o bom cabrito, mama e não berra!

