01-11-2026 às 13h42
Samuel Arrua*
A política mineira teve uma semana marcada por importantes movimentações institucionais e pela definição dos primeiros nomes que deverão participar da futura administração estadual. Dois acontecimentos chamaram a atenção: a passagem temporária do comando do Governo de Minas para o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Tadeu Martins Leite (MDB), e a escolha do economista Thiago Toscano para integrar a equipe do governador eleito Cleitinho Azevedo (Republicanos).
Com a viagem oficial do governador Mateus Simões à China, o presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), Tadeu Martins Leite, assumiu interinamente o comando do Executivo estadual.
A substituição ocorre porque Minas Gerais está atualmente sem vice-governador. A Assembleia Legislativa autorizou o afastamento de Mateus Simões entre 28 de outubro e 14 de novembro, período correspondente à primeira etapa de sua missão internacional.
A autorização foi aprovada por meio do Projeto de Resolução 139/26, após alteração da proposta original, que previa uma viagem mais extensa, incluindo compromissos na Turquia e no Reino Unido.
Durante esse período, a deputada Leninha (PT), primeira vice-presidente da Assembleia, passou a responder pela Presidência do Legislativo mineiro.
A mudança tem relevância política e institucional, especialmente porque acontece durante o período de transição entre a atual administração e o governo que será comandado por Cleitinho Azevedo a partir de janeiro de 2027.
Outro acontecimento de destaque foi o convite aceito pelo economista Thiago Toscano, ex-presidente da Codemig e da Codemge, para integrar o futuro governo de Cleitinho assumindo o comando da área econômica.
Toscano deverá comandar uma estrutura estratégica, com atribuições relacionadas à economia, gestão pública, desenvolvimento de novos negócios e atração de investimentos.
A escolha foi anunciada após conversas com Cleitinho e o vice-governador eleito, Luís Eduardo Falcão. O economista também deixará a presidência da mineradora Itaminas para assumir a nova função em janeiro.
A indicação sinaliza a intenção do futuro governo de reunir diferentes áreas da administração sob uma coordenação econômica mais abrangente, buscando fortalecer a gestão e atrair investimentos para Minas Gerais.
A formação da equipe econômica acontece em um momento delicado para as finanças estaduais. O elevado endividamento de Minas Gerais com a União, os compromissos assumidos no âmbito do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag) e a necessidade de manter em dia as despesas com o funcionalismo representam desafios importantes para a próxima administração.
As projeções fiscais para 2027 apontam um déficit expressivo, o que exigirá decisões difíceis, planejamento e capacidade de negociação com o governo federal e a Assembleia Legislativa.
Nesse cenário, a escolha de profissionais com experiência em gestão e desenvolvimento econômico será fundamental para dar sustentação às propostas anunciadas durante a campanha.
As movimentações desta semana mostram que a política mineira já começa a se reorganizar em torno do próximo governo. Enquanto Tadeu Leite responde temporariamente pelo Executivo, Cleitinho e seus aliados trabalham na montagem da equipe que terá a responsabilidade de administrar o Estado a partir de janeiro.
Mais do que a escolha de nomes e a distribuição de cargos, o que estará em jogo será a capacidade de transformar compromissos políticos em resultados concretos.
O maior desafio de Cleitinho não será apenas governar com uma nova equipe, mas encontrar soluções para um Estado endividado, com despesas elevadas e grandes expectativas da população. É nesse terreno que seu governo começará a ser verdadeiramente testado.
*Samuel Arruda é jornalista e editor de política

