Créditos: Divulgação
27-06-20236 às 09h13
Anna Marchesini*
Se 200 milhões cantam o hino no estádio, 200 milhões podem fazer o Brasil recomeçar nas urnas. A força que joga junto, decide junto.
A gente sabe o que é força.
A gente viu na Copa. 11 em campo, 200 milhões na arquibancada. Quando a camisa amarela entra, a gente esquece a cor partidária, o bairro, o time do coração. Vira um só grito: Brasil.
O futebol ensinou isso pra gente: time que joga junto, ganha junto. Time que se acusa no vestiário, perde até de goleada. Força não é um craque driblando sozinho. Força é passe, é cobertura, é quem corre pro companheiro mesmo cansado.
E essa força é mundial. O mundo olha pro Brasil e vê ginga, vê criatividade, vê capacidade de recomeçar do zero. Vê povo que transforma pouco em muito, que faz gol de voleio quando ninguém acredita. Essa é a nossa marca. Essa é a força que exportamos.
E se a gente jogasse essa força onde mais dói?
Porque o jogo mais importante não tem 90 minutos. Tem 4 anos. E o campo é a urna.
A política cansou a gente. Cansa ver briga, cansa ver promessa vazia, cansa sentir que nada muda. Mas o futebol também já cansou. Já tomamos 7×1. Já ficamos fora da Copa. E sabe o que a gente fez? Levantou. Treinou. Recomeçou. Gritou de novo.
Hora de fazer igual fora do estádio.
Hora de cada brasileiro olhar pro espelho e lembrar: a força não tá em Brasília. A força tá em você. Tá no voto consciente, no debate sem xingar, na cobrança depois da eleição. Tá em focar em cada um de nós, na nossa rua, na nossa escola, no nosso hospital.
O espetáculo que o Brasil merece
Nas Copas a gente dá show. Decoração na rua, bandeira na janela, família reunida. A gente transforma o país inteiro num espetáculo de esperança por 1 mês.
Imagina se a gente desse esse mesmo espetáculo nas urnas.
Imagina 200 milhões estudando candidato como estuda escalação.
Imagina fiscal de voto na sessão igual torcedor que não perde um lance.
Imagina o Brasil inteiro votando com a mesma garra que canta o hino.
Isso é recomeçar. Isso é mostrar força.
Porque país não se constrói só com governo. Se constrói com povo. E povo brasileiro, quando decide jogar junto, faz o impossível virar rotina.
Então guarda essa camisa. Passa ela. Mostra ela.
Mas lembra: a verdadeira camisa amarela se veste todo dia. E na próxima eleição, ela precisa estar no peito de novo.
Mostre a sua força, Brasil.
A do estádio. A da rua. A da urna.
A força que recomeça.
*Anna Marchesini é Educadora e palestrante

