25-10-2026 às 17h22
Samuel Arruda*
O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal FeSderal (STF), determinou neste domingo (25) a prorrogação do horário de votação do segundo turno das eleições presidenciais de 2026 até as 19h, em todo o Brasil. A decisão atendeu a um pedido da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que apontou dificuldades de acesso aos locais de votação provocadas por problemas no transporte público.
A medida foi motivada por denúncias de redução da frota de ônibus em diferentes cidades, com destaque para São Paulo e municípios da Bahia. Segundo a campanha petista, a falta de transporte teria prejudicado o deslocamento de eleitores e comprometido as condições de acesso às urnas.
A solicitação foi encaminhada ao STF durante a tarde, e Zanin foi sorteado para analisar o caso. O argumento central da campanha de Lula foi o de que eleitores submetidos a dificuldades semelhantes deveriam ter as mesmas condições para exercer o direito ao voto, independentemente da cidade onde moram.
Paralelamente, a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) apresentou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um pedido para estender a votação até as 19h em 17 municípios de São Paulo, Paraná e Santa Catarina.
A defesa apontou problemas provocados por chuvas intensas, alagamentos, interdições de vias, mudanças nos locais de votação e interrupções no fornecimento de energia elétrica. Segundo os advogados, essas ocorrências dificultaram ou impediram que parte dos eleitores chegasse às seções eleitorais.
A equipe jurídica sustentou que garantir o voto apenas às pessoas que já estivessem nas filas às 17h não seria suficiente para atender quem enfrentou obstáculos no trajeto até os locais de votação.
Além da ampliação do horário nos municípios afetados, a defesa de Flávio solicitou que a divulgação dos resultados da eleição presidencial só começasse depois do encerramento da votação nas localidades contempladas pela eventual prorrogação.
A proposta permitiria que os votos fossem transmitidos normalmente, mas impediria a divulgação dos números presidenciais antes do fechamento de todas as seções abrangidas pela medida. A defesa também apresentou alternativas para que a extensão fosse aplicada, ao menos, em locais específicos onde houvesse comprovação de dificuldades de acesso.
A prorrogação do horário de votação interfere no cronograma inicialmente previsto para o encerramento das eleições. Pela programação original, a votação terminaria às 17h, quando começaria a transmissão dos boletins de urna para a totalização pelo TSE.
Com a extensão até as 19h, o início da divulgação dos resultados pode sofrer atraso, conforme os procedimentos determinados pela Justiça Eleitoral.
É importante distinguir, porém, a transmissão dos votos, a totalização e a divulgação pública dos resultados. O pedido da campanha de Flávio Bolsonaro para adiar a divulgação dos números presidenciais foi uma solicitação específica da defesa e não deve ser confundido automaticamente com uma ordem geral de suspensão da apuração.
Os pedidos apresentados pelas duas campanhas tiveram justificativas diferentes. Lula apontou problemas no transporte coletivo e defendeu a ampliação nacional do horário. Flávio Bolsonaro destacou dificuldades climáticas e de acesso em municípios específicos.
O episódio colocou no centro do debate a necessidade de assegurar condições adequadas para que os eleitores exerçam o direito ao voto, sem que dificuldades de deslocamento prejudiquem sua participação.
A avaliação dos efeitos da prorrogação sobre o cronograma de apuração depende das determinações da Justiça Eleitoral e dos procedimentos adotados pelo TSE para a transmissão e divulgação dos resultados.
*Samuel Arruda é jornalista e editor de política

