Créditos: Divulgação Arte Radar Brasil
02-10-2026 às 17h57
Raphael Bueno*
Minas Gerais reduziu proporcionalmente a participação da Segurança Pública no orçamento estadual mais do que qualquer outro estado brasileiro entre 2021 e 2025, aponta o Radar Brasil, estudo da consultoria Santo Caos que analisa a capacidade de governos estaduais de alinhar planejamento, decisões, recursos, resultados sociais e estrutura institucional.
Segundo o levantamento, a parcela destinada à Segurança caiu de 12,7% do orçamento estadual em 2021 para 9,7% em 2025, uma redução de três pontos percentuais. O estudo considera o dado especialmente relevante porque a segurança pública aparece como um dos eixos de prioridade do planejamento estadual.
No ranking nacional de governança, o Radar Brasil atribui a Minas Gerais 60,6 pontos, colocando-o na faixa Intermediária e na 4ª posição entre os 27 governos estaduais avaliados. A dimensão Dinheiro é uma das principais forças do estado, com nota média de 73,75. Em 2024, Minas executou 91,78% do orçamento previsto, equivalente a R$ 102,74 bilhões.
O estudo, porém, identifica uma diferença entre a disciplina na execução dos recursos e alguns resultados sociais. A cobertura de esgotamento sanitário, por exemplo, caiu de 76,50% para 75,20% entre 2022 e 2024, enquanto a média brasileira subiu de 55,73% para 56,11%. Mesmo assim, Minas continua acima da média nacional nesse indicador.
Para a Santo Caos, o caso da Segurança é um exemplo de como o Radar procura comparar aquilo que o governo declara como prioridade com as decisões efetivamente tomadas. Previdência e Saúde apresentam valores previstos considerados coerentes com o PPAG 2024-2027, enquanto a Segurança aparece como o principal ponto de afastamento entre discurso e orçamento.
Outro destaque do diagnóstico mineiro é a transparência. Minas recebeu 89,1 pontos no Índice de Transparência e Governança Pública (ITGP) 2025, classificado como “Ótimo” e apontado pelo estudo como a melhor nota de transparência entre os estados avaliados nessa rodada. Ao mesmo tempo, o Radar identifica limitações na capacidade de o cidadão comparar diretamente os gastos das diferentes secretarias.
O estudo também analisa a estabilidade do alto escalão. Entre 2023 e 2026, a Secretaria de Educação teve pelo menos quatro titulares, enquanto Fazenda e Planejamento tiveram três transições no período. Saúde e Segurança tiveram um titular no período analisado.
De acordo com Guilherme Françolin, sócio-fundador da Santo Caos, o caso de Minas Gerais mostra que a análise de um governo precisa ir além da capacidade de executar o orçamento e observar como as prioridades declaradas se refletem nas escolhas de recursos. “Quando uma área aparece como prioridade no discurso, mas perde espaço proporcionalmente no orçamento, existe uma diferença que precisa ser compreendida. O Radar busca justamente tornar essas relações mais visíveis”, complementa.
O Radar Brasil utilizou cinco dimensões — Discurso, Decisões, Dinheiro, Dinâmica Social e Design Institucional — e reuniu 3,7 mil pontos de dados provenientes exclusivamente de fontes públicas. Ao todo, os 26 governos estaduais e o DF foram avaliados a partir de 30 subcritérios.
Sobre a Santo CaosA Santo Caos é uma consultoria especializada em cultura organizacional. O Radar Brasil aplica ao setor público o Sistema Cultural da empresa, analisando a relação entre o que uma organização declara, decide, investe, entrega e estrutura para executar suas prioridades.

