Créditos: Divulgação
26-05-2026 às 10h20
Samuel Arruda*
As articulações para a disputa do Governo de Minas Gerais em 2026 ganharam novos contornos nos bastidores da política mineira após a aproximação entre o senador Cleitinho e o ex-prefeito de Betim Vittorio Medioli. Os dois se reuniram recentemente para discutir a possibilidade de formação de uma chapa competitiva para disputar o Palácio Tiradentes, em um movimento que pode reorganizar o campo da direita e do conservadorismo em Minas Gerais.
Segundo informações divulgadas pela imprensa mineira, Cleitinho convidou Medioli para integrar seu projeto político nas eleições deste ano. Entre as hipóteses discutidas estariam uma candidatura a vice-governador, participação em eventual futuro secretariado ou até mesmo apoio estratégico ao grupo político liderado pelo senador.
A movimentação é vista como estratégica porque une dois perfis políticos distintos, mas complementares. Cleitinho consolidou sua imagem como um político popular, de forte presença nas redes sociais, discurso antipolítica tradicional e enorme capilaridade no interior mineiro. Já Medioli representa um setor empresarial e administrativo mais técnico, associado à gestão municipal de Betim e ao setor industrial de Minas. A eventual composição tentaria equilibrar popularidade eleitoral com credibilidade administrativa e diálogo com o empresariado.
Nos bastidores, interlocutores avaliam que Cleitinho busca ampliar sua aceitação junto aos setores econômicos e moderados do eleitorado mineiro. Pesquisas recentes apontam o senador em posição de destaque na corrida ao governo, liderando cenários de primeiro e segundo turno, embora também apresente índices elevados de rejeição.
A entrada de Medioli em uma chapa majoritária também mexeria diretamente com os planos do PL em Minas Gerais. O partido de Jair Bolsonaro vem discutindo diferentes cenários para 2026, incluindo alianças com Cleitinho ou até candidaturas próprias envolvendo nomes como Medioli e o presidente da Fiemg, Flávio Roscoe.
Outro fator relevante é o avanço da disputa interna no campo conservador mineiro. Enquanto o vice-governador Mateus Simões tenta herdar o espólio político do governador Romeu Zema, Cleitinho cresce como alternativa mais popular e identificada com o eleitorado bolsonarista. O PL nacional também acompanha o cenário de perto, principalmente pela importância estratégica de Minas Gerais na eleição presidencial.
A possível aliança entre Cleitinho e Medioli, no entanto, ainda enfrenta desafios importantes. Apesar da força eleitoral do senador, setores da política tradicional e do empresariado demonstram preocupação com seu estilo considerado imprevisível e fortemente personalista. Por outro lado, Medioli teria de avaliar os riscos de associar sua imagem empresarial e administrativa a uma campanha marcada pelo forte tom populista e confrontador de Cleitinho.
Além disso, o tabuleiro mineiro segue indefinido. O ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil continua sendo um nome competitivo, enquanto o grupo ligado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda trabalha alternativas para enfrentar a direita em Minas.
Mesmo sem definição oficial, a aproximação entre Cleitinho e Vittorio Medioli já provoca forte repercussão nos bastidores políticos de Belo Horizonte e Brasília. A depender da consolidação dessa aliança, Minas Gerais poderá assistir a uma das disputas mais polarizadas e imprevisíveis de sua história recente, reunindo populismo digital, força empresarial e o peso decisivo do eleitorado conservador mineiro.
*Samuel Arruda e jornalista e articulista

