Adriana Ferreira e as equipes do Instituto Ramacrisna e Petrobras. Créditos: Divulgaçao
03-10-2026 às 15h45
Carolina Nogueira*
De uma pequena confecção que passou a atender empresas e gerar empregos a uma artesã que aprendeu a calcular o valor de cada peça e hoje compartilha seus conhecimentos com outras mulheres. As histórias de Daniela Pacheco e Adriana Ferreira têm em comum uma mudança provocada pelo acesso à capacitação e a recursos para investir em seus negócios.
As duas participaram do curso de Empreendedorismo do projeto Construindo o Futuro, realizado pelo Instituto Ramacrisna em parceria com a Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental. A iniciativa oferece formação tanto para pessoas que desejam iniciar um empreendimento, quanto para pessoas que já empreendem e desejam estruturar uma atividade como fonte de renda, abordando temas como planejamento, precificação e gestão, além de possibilitar investimentos em equipamentos e materiais.
Os resultados dessas oportunidades ganham destaque em 5 de outubro, Dia do Empreendedor, data que chama atenção para quem cria e conduz seus próprios negócios e para os caminhos que contribuem para tornar essas iniciativas sustentáveis.
Transformar uma habilidade em fonte de renda, no entanto, exige mais do que disposição para começar. Conhecer os custos, definir preços, planejar investimentos e identificar oportunidades são etapas que podem determinar os rumos de um pequeno negócio. Por isto, projetos sociais voltados ao empreendedorismo, podem se tornar ferramentas de desenvolvimento e autonomia financeira.
De aluna a fornecedora
Daniela Pacheco é empresária no ramo de confecção de roupas. Iniciou produzindo uniformes de forma terceirizada e mantinha uma pequena confecção de lingerie. Após o curso, investiu em novos maquinários e passou a concentrar esforços no próprio negócio, que hoje produz uniformes empresariais e camisetas personalizadas. “O curso me fez enxergar que eu poderia ir além do que já fazia. Comecei a investir mais na minha própria confecção. O curso oferecia um aporte financeiro e uma consultoria mais aprofundada para os alunos destaques, e eu fui uma das selecionadas. Com o dinheiro, comprei máquinas, ampliei a produção e fui deixando os trabalhos terceirizados para focar no meu negócio”, relata.
A empresa cresceu, ganhou uma loja e depois ocupou um espaço ainda maior. Daniela já prepara uma nova mudança e, atualmente, conta com quatro funcionários. O crescimento também abriu espaço para apoiar outras mulheres. Natural de uma região ribeirinha, ela envia peças para mulheres de sua cidade natal comercializarem. “Se eu consegui transformar o meu trabalho em uma oportunidade de crescimento, quero que outras mulheres também tenham essa possibilidade”, afirma.
A trajetória ganhou um novo capítulo recentemente: Daniela fechou seu primeiro pedido com o Instituto Ramacrisna, onde realizou a formação. A antiga aluna agora retorna à instituição como fornecedora.
Artesanato como recomeço
A história de Adriana Ferreira também mostra como a força de vontade pode transformar vidas. Ela trabalha com artesanato há 27 anos. Após a morte do pai, precisou interromper a atividade e buscar trabalho na área da costura. Anos depois, diante da perda do filho, encontrou novamente no artesanato uma forma de recomeçar.
Apesar da experiência, tinha dificuldade para definir os preços das peças e calcular os custos de produção. “Eu sempre trabalhei com artesanato, mas não sabia enxergar o meu trabalho como um negócio. Muitas vezes eu fazia uma peça, colocava um preço que achava justo e vendia, sem calcular realmente quanto tinha gastado”, conta.
No curso, aprendeu a planejar metas, calcular custos e precificar os produtos. Com o conhecimento adquirido e o aporte financeiro, investiu em materiais e máquinas. “Hoje sei calcular meus custos, colocar preço nas peças, planejar minhas metas e pensar nos próximos passos”, diz.
Além de fortalecer o próprio trabalho, Adriana passou a ensinar costura para outras mulheres. “Eu percebi que o que aprendi poderia não só mudar a minha história, mas também ajudar outras pessoas a construírem a própria renda. ”, conta.
Histórias como estas mostram que o empreendedorismo pode ir além da abertura de um negócio. Com conhecimento e oportunidades, habilidades podem se transformar em trabalho, renda e novas perspectivas.
Sobre o Construindo o Futuro
Desde 2023, o Instituto Ramacrisna, em parceria com a Petrobras, realiza o projeto Construindo o Futuro VI, impactando diretamente as comunidades dos bairros Imbiruçu e Petrovale, em Betim, e das cidades de Ibirité e Sarzedo – regiões próximas à REGAP.
A iniciativa atende crianças, adolescentes e adultos de 6 a 45 anos, em situação de vulnerabilidade social, oferecendo oportunidades concretas para transformar realidades. O principal objetivo é impulsionar a qualificação profissional e educacional, promovendo autonomia e geração de renda para jovens e adultos. Além disso, o projeto fortalece a cidadania por meio de atividades esportivas, culturais e de incentivo ao empreendedorismo.
Com acesso totalmente gratuito, o Construindo o Futuro VI prevê até 2027 beneficiar 4.362 pessoas diretamente e alcançar outras 17.448 indiretamente, envolvendo familiares, participantes de eventos e torneios. A iniciativa reafirma o compromisso do Ramacrisna e da Petrobras com o desenvolvimento social sustentável e a inclusão de comunidades em situação de vulnerabilidade.

