Créditos: Divulgação
14-10-2026 às 16h23
Andressa Gonçalves*
As eleições de 2026 deixaram uma nova configuração política no Brasil e, junto com ela, uma pergunta que interessa diretamente a quem empreende, investe, contrata e planeja: qual será o ambiente para os negócios nos próximos anos?
Uma das primeiras respostas veio do próprio mercado. A reação positiva aos resultados eleitorais mostra que existe uma demanda muito clara por previsibilidade. Para quem está à frente de uma empresa, previsibilidade não significa saber exatamente o que acontecerá amanhã, mas ter condições de projetar cenários, calcular riscos e tomar decisões com algum grau de segurança.
O resultado das urnas também produziu uma nova composição do Congresso. A Câmara passa a ter o PL como maior bancada, com 121 deputados projetados, seguido pela Federação Brasil da Esperança, com 88, e pela União Progressista, com 87. No Senado, a projeção aponta 29 cadeiras para o PL, 10 para a União Progressista e nove para a Federação Brasil da Esperança.
Esses números são importantes porque o ambiente de negócios não é construído apenas a partir da Presidência da República. As decisões que afetam impostos, regras trabalhistas, investimentos, infraestrutura e segurança jurídica passam também pelo Congresso. Uma composição mais definida permite ao setor produtivo compreender as forças políticas que estarão à frente das discussões e antecipar os temas que deverão dominar a agenda nacional.
Na minha avaliação, essa reação positiva deve ser compreendida como uma espécie de voto de confiança condicionado. O mercado não está apenas reagindo a nomes ou partidos. Está sinalizando que espera um ambiente com mais clareza sobre os rumos da economia, respeito às regras e capacidade de diálogo entre os diferentes atores institucionais.
Para o empresário, essa previsibilidade tem um valor enorme. Uma empresa não decide contratar, investir em uma nova unidade, comprar equipamentos ou ampliar sua produção olhando apenas para o presente. Quanto maior a incerteza sobre o ambiente econômico, maior também tende a ser a cautela.
Temos desafios importantes pela frente. A reforma tributária continuará exigindo atenção do setor produtivo. A discussão sobre relações de trabalho, custos empresariais e produtividade também deve permanecer na agenda e precisam ser resolvidas dentro da razoabilidade, observando-se as consequências de termos um país, onde a força do trabalho é trocada por soluções eleitoreiras. Precisamos avançar em infraestrutura, qualificação profissional, inovação e acesso ao crédito, ao mesmo tempo em que preservamos a responsabilidade fiscal e a segurança jurídica.
O setor empresarial não espera que o poder público resolva todos os problemas. O que esperamos é um ambiente no qual seja possível trabalhar, investir, contratar e crescer, sem que cada decisão seja acompanhada pelo receio de uma mudança abrupta nas regras do jogo, afetando o planejamento estratégico das empresas. A reação positiva do mercado depois das eleições é, portanto, um sinal que merece ser observado.
*CEO da Pinheiro Ferragens e do Grupo Pinheiro de Brito e presidente do LIDE Mulher Brasília.

