Créditos: Divulgação
22-08-2026 às 08h19
Tito Guimarães Filho*
Do aeroporto de Itambacuri para Belo Horizonte, a família mudava e a história dos sete filhos – agora seis filhos. A tragédia tirara deles a mais velha apenas com 15 anos.
Não havia como permanecer numa pequena cidade, na década de 1960, com vizinhos, amigos e todos os cidadãos a acompanhar a perda da moça que todos admiravam a beleza, a inteligência e que, na escola se destacava. Ita, era uma líder, mas muito mais uma amiga.
Já no final da década de 1970, agora, em Governador Valadares, soube que aquele que fora o namorado de Ita, estava de volta depois de mais de duas décadas na Amazônia, para onde também uma tragédia, a morte da filha, o levara.
Fui ao seu encontro no aeroporto. No bairro Santa Rita, paramos na estrada.
Abraçamos e o chamei como o havia conhecido: Popó. “Aqui, em Valadares, todos me conhecem com José Altino, o filho do coronel Altino”.
Antes de chegarmos na fazenda, já havia contado umas tantas histórias da Amazônia. Impressionara-me a revelação de que queimara mais de mil páginas de suas anotações para um livro, enquanto construía o que se transformaria, em pouco tempo numas das cidades mais pujantes do Mato Grosso.
Propus que ele, ali mesmo na fazenda, retomasse suas escritas. Contei a perda de um baú de escritos de Lawrence da Arábia no Expresso do Oriente, a linha férrea que ligava Istambul a Paris. Na Inglaterra, ele retomou os escritos das mais de 900 páginas de Os Sete Pilares da Sabedoria (*). Sugeri que fizesse como Darcy Ribeiro, gravasse, depois corrigisse o material transcrito da linguagem oral para a escrita.
Em pouco tempo, tinha mais de mil páginas já estavam recuperadas do incêndio na floresta do Mato Grosso.
Um alerta. Na reunião no Jardim Botânico, no Rio de Janeiro, com a Associação dos Correspondentes Estrangeiros no Brasil, com quem participara de reportagens, além de ter escrito para vários jornais dos EUA e da Europa, houve a sugestão de que a primeira edição do livro de José Altino Machado fosse feita em inglês.
A ponderação e o cuidado dos jornalistas se deviam aos conflitos com interesses internacionais na Amazônia, principalmente com os ingleses, e que já resultara na punição de oficiais do Comando Militar da Amazônia que deram cobertura às ações de José Altino à frente USAGAL – União dos Sindicatos de Garimpeiros da Amazônia Legal (**).
Por sua vez, o governo de Fernando Collor de Melo determinara à Polícia Federal a prisão de José Altino, a destruição de todos os aeroportos construídos pelos garimpeiros e a apreensão de seus aviões e helicópteros. Tudo apodreceu no aeroporto de Boa Vista, em Roraima.
Rufino Fialho Filho, colunista do Diário de Minas, sintetiza esta luta de José Altino Machado com a defesa da Amazônia, o seu empenho em registrar uma saga que continua e o desejo destes brasileiros que garantem a existência da Amazônia, sempre sob a ameaça e a cobiça de interesses estrangeiros. (*)
No lançamento do livro “Os Bundas Doidas”, nesta quinta-feira, à observação de que a Amazônia não seria uma Groelândia, um dos advogados presentes sentenciou: “O secretário de Estado dos EUA, Marco Rúbio, já disse que domina todo o continente americano, nem nós nem Cuba corremos mais riscos, já somos todos deles mesmos”.
(*) Tito Guimarães Filho é jornalista
(*) Os Sete Pilares da Sabedoria é um clássico da literatura mundial. Winston Churchill o considerava como “um dos maiores livros já escritos na língua inglesa”. Narra a participação de Thomas Edward Lawrence, conhecido como Lawrence da Arábia, no movimento nacionalista árabe na Primeira Guerra Mundial.[
(**) https://todagentetodomundo.blogspot.com/2022/10/a-intifada-usa-pedra.html
(*)https://todagentetodomundo.blogspot.com/2017/05/a-gravidez-da-mentira.html Quando escreveu para o Diário de Minas, Rufino Fialho Filho teve que trocar o nome de José Altino Machado a pedido do Diretor de Redação do DM.

