Teófilo Otoni - créditos: divulgação
13-06-2026 às 11h40
Carlos Mota Coelho*
Eu já vinha desconfiando de que o padre que me arrumaram como cabo eleitoral, de santo não tinha nada, pois num mutirão de construção de uma igreja, o flagrei bolinando as mulheres que estavam cozinhando, enquanto os maridos se esfalfavam, carregando massa e assentando tijolos.
Voltando àquela cidade às vésperas da eleição, um boato corria de boca em boca, pois o padre fora pegado com a boca na botija, a batina levantada e com aquilo dentro da quila de uma paroquiana.
E mais grave ainda, pois o marido traído amarrou a esposa na árvore em que ela se encostara, amarrou pelado o padre em outra árvore em frente e também amarrou o alcoviteiro na outra, tudo sob a mira de um tresoitão.
Em seguida, o marido traído pegou uma faca, mas assim que ameaçou cortar a vara e os badalos do padre, ouviu a esposa gritar.
⁃ Faça isso, não, pelamô de Deus, pois como vou viver sem eles!?
Sorte foi que ela se soltou das cordas, correu e o chifrudo, correndo atrás dela, se esqueceu do padre e de seu sacristão alcoviteiro. Sorte dele e azar meu, pois os eleitores, sabedores de minha ligação com o padre, correram de mim, como capeta corre da Cruz! E adeus os votos!
Aconteceu com o padre Joel, vigário ou vigarista de Teófilo Otoni. E kkk, o padre foi ordenado pelo próprio papa João Paulo II, na celebre missa no Maracanã lotado!
O alcoviteiro de nome Raul, nasceu em Turmalina, ex-garimpeiro, foi vereador em Minas Novas, também em TO, onde viveu por várias décadas, e onde escrevia panfletos desancando com as pessoas! O chifrado era um militar reformado.
Raul Boca do Inferno, um de seus apelidos em TO
Todas as manhas, ao lado daquela Maria Fumaça no centro de TO, as pessoas aguardavam os panfletos que Raul os vendia por um real cada, xingando sobretudo o prefeito, menos se ele o pagasse.
Esse texto foi a minha vingança, porque regularizei uma faculdade do padre e o livrei da prisão, pois ele realizou um vestibular antes de a faculdade estar autorizada pelo MEC. E meu texto foi distribuído no centro de TO, no mesmo local em que Raul vendia os seus temidos panfletos.
*Carlos Mota Coelho é procurador federal, ex-deputado federal, escritor e membro da ALVA – Academia de Letras do Vale do Jequitinhonha

