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27-08-2026 às 09h14
Direto da Redação*
Desastre na fronteira com o Tibete destruiu vilarejos, estradas e pontes; equipes de resgate enfrentam dificuldades para localizar desaparecidos, entre eles turistas estrangeiros
Katmandu, Nepal — 26 de agosto de 2026. Uma das mais graves catástrofes naturais recentes do Nepal atingiu nesta quarta-feira a região montanhosa próxima à fronteira com o Tibete, provocando uma violenta enchente relâmpago que arrastou casas, veículos, pontes e trechos de estradas. Pelo menos 157 pessoas morreram no Nepal, segundo as autoridades locais. Do lado tibetano, foram registradas outras três mortes, elevando o número confirmado de vítimas fatais para ao menos 160. Centenas de pessoas continuam desaparecidas.
A área mais atingida fica no distrito de Rasuwa, no norte do Nepal, onde o aumento repentino das águas dos rios Bhote Koshi e Trishuli devastou comunidades e importantes estruturas de transporte e energia. A enchente também afetou rotas utilizadas por turistas, peregrinos e trabalhadores de projetos hidrelétricos.
Uma onda repentina de água, gelo e pedras
As primeiras informações indicam que o desastre pode ter sido provocado por um gigantesco movimento de gelo, rochas e sedimentos nas montanhas do Himalaia. Imagens de satélite analisadas após a tragédia mostram o colapso de uma parte de uma geleira em uma área situada a cerca de 5.200 metros de altitude. O material despencou pelo vale e teria provocado uma onda devastadora.
A causa exata, porém, ainda está sendo investigada. Algumas autoridades e especialistas inicialmente levantaram a possibilidade de um terremoto de magnitude 4,4 ter contribuído para o episódio, enquanto análises posteriores indicaram que não havia evidência de um terremoto imediatamente anterior à enchente. Por isso, a origem precisa do fenômeno ainda não foi oficialmente determinada.
Centenas de desaparecidos
O número de desaparecidos permanece incerto e pode aumentar à medida que as equipes conseguem acessar áreas isoladas. Entre as pessoas procuradas estão moradores locais, trabalhadores e turistas estrangeiros.
Segundo informações divulgadas pelas autoridades e pela imprensa internacional, centenas de estrangeiros estão entre os desaparecidos, incluindo cidadãos da Índia, Estados Unidos, Reino Unido, Austrália, Canadá e outros países. Muitos estavam viajando pela região em direção a locais religiosos e turísticos do Himalaia.
A situação é especialmente preocupante porque diversas estradas e pontes foram destruídas ou ficaram intransitáveis. Falhas no fornecimento de energia e dificuldades de comunicação também complicam o trabalho das equipes de emergência.
Operação de resgate
O governo nepalês mobilizou forças de segurança e equipes de emergência para procurar sobreviventes e localizar os desaparecidos. Helicópteros, drones e equipes terrestres estão sendo utilizados, mas o terreno montanhoso, as condições meteorológicas e a destruição da infraestrutura dificultam o acesso às áreas mais afetadas.
Organizações humanitárias também começaram a preparar assistência para as comunidades atingidas. A CARE Nepal informou que está coordenando esforços com autoridades locais e organizações humanitárias para avaliar as necessidades e preparar o envio de abrigo, itens de higiene e outros materiais de emergência.
Himalaia sob risco crescente
A tragédia reacende o debate sobre a vulnerabilidade do Nepal aos fenômenos extremos. O país está situado em uma das regiões geologicamente mais ativas do planeta e enfrenta riscos de terremotos, deslizamentos, enchentes e avalanches.
Especialistas também apontam que o aquecimento do Himalaia pode contribuir para o derretimento acelerado de geleiras e aumentar a instabilidade de áreas de alta montanha. A combinação entre temperaturas mais elevadas, terrenos instáveis e chuvas intensas pode tornar episódios desse tipo ainda mais perigosos.
A prioridade, neste momento, permanece a mesma: encontrar sobreviventes, identificar as vítimas e retirar as pessoas das áreas que continuam sob ameaça. As autoridades alertam moradores e turistas para que evitem margens de rios e regiões afetadas enquanto as operações de busca e avaliação dos danos continuam.
As informações sobre mortos e desaparecidos são preliminares e podem mudar à medida que as equipes de resgate avançam e as autoridades atualizam os números.
Fontes: Reuters

