Campanhas políticas começam hoje, 16-08 - créditos: divulgação
16-08-2026 às 09h40
Por Samuel Arruda*
A partir deste domingo, 16 de agosto, começa oficialmente a propaganda eleitoral das Eleições 2026. Candidatas, candidatos, partidos, federações e coligações poderão apresentar suas propostas ao eleitorado, pedir votos e utilizar os meios de comunicação permitidos pela legislação, inclusive sites, redes sociais, blogs e aplicativos de mensagens. Também estarão autorizadas atividades de campanha nas ruas, como comícios, caminhadas, carreatas e distribuição de material gráfico, observadas as regras estabelecidas pela Justiça Eleitoral.
A abertura da campanha marca, mais uma vez, o início de um período em que discursos, promessas e projetos precisarão disputar a atenção de um eleitorado cada vez mais exposto a informações de diferentes origens. Neste cenário, a eleição não será definida apenas pela capacidade de mobilização dos candidatos, mas também pela qualidade das propostas apresentadas e pela capacidade de responder a problemas concretos que permanecem entre as principais preocupações da população.
Segurança pública, educação, saúde — com especial atenção ao Sistema Único de Saúde (SUS) —, emprego, renda, custo de vida, infraestrutura, habitação, mobilidade urbana e qualidade dos serviços públicos deverão ocupar espaço importante no debate. A campanha também deverá colocar em evidência questões como equilíbrio das contas públicas, combate à corrupção, eficiência administrativa e capacidade de execução das políticas anunciadas.
Mais do que apresentar diagnósticos, candidatos terão de explicar como pretendem transformar promessas em políticas públicas, de onde virão os recursos para financiá-las e quais resultados poderão ser efetivamente entregues à população. A cobrança tende a ser maior em áreas nas quais os problemas são conhecidos há anos, mas continuam produzindo impactos cotidianos.
Segurança pública volta ao centro da disputa
A segurança deverá ocupar posição estratégica no discurso eleitoral, sobretudo diante da percepção de que o combate à criminalidade exige ações que ultrapassem o policiamento ostensivo. O debate envolve prevenção, investigação, inteligência, integração entre forças de segurança, sistema prisional, combate ao crime organizado e políticas voltadas à juventude.
Nesse campo, o eleitorado deverá encontrar propostas que vão desde o fortalecimento das polícias e investimentos em tecnologia até programas sociais destinados a reduzir a vulnerabilidade de comunidades e grupos mais expostos à violência.
O desafio para os candidatos será apresentar medidas que sejam simultaneamente objetivas, financeiramente sustentáveis e compatíveis com as competências de cada esfera de governo.
Educação e SUS exigem propostas além das promessas
Na educação, a campanha deverá colocar em discussão temas como alfabetização, aprendizagem, valorização dos profissionais, infraestrutura das escolas, ensino técnico e profissionalizante, acesso ao ensino superior e redução das desigualdades educacionais.
No caso da saúde, o SUS permanece como uma das estruturas centrais das políticas públicas brasileiras. O debate eleitoral tende a envolver financiamento, atenção básica, atendimento especializado, filas para consultas e exames, acesso a medicamentos, saúde mental, vacinação, atendimento de urgência e emergência e redução das desigualdades regionais.
Para o eleitor, entretanto, a discussão deverá ir além da defesa genérica de investimentos. A questão central será saber quais medidas serão adotadas, quanto custarão e em quanto tempo poderão produzir resultados.
Internet amplia o alcance, mas também aumenta a responsabilidade
A campanha de 2026 terá uma característica ainda mais marcante no ambiente digital. A propaganda eleitoral na internet está liberada a partir de 16 de agosto, mas a utilização das redes sociais e dos aplicativos de mensagens deverá obedecer às regras estabelecidas pela Justiça Eleitoral.
Uma das principais preocupações é o combate à desinformação. As regras para 2026 incorporam medidas específicas relacionadas ao uso de inteligência artificial e estabelecem exigências de transparência para conteúdos sintéticos ou significativamente modificados por essas tecnologias. O TSE também reforçou mecanismos contra conteúdos falsos ou gravemente descontextualizados e proibiu o uso de deepfakes para favorecer ou prejudicar candidaturas.
A mudança representa um novo desafio para campanhas, imprensa e eleitores. Vídeos, áudios e imagens produzidos ou modificados por inteligência artificial podem ganhar aparência de material autêntico e circular rapidamente, especialmente em aplicativos de mensagens.
Por isso, a capacidade de verificar informações antes de compartilhá-las passa a ter importância ainda maior no processo eleitoral.
Fiscalização também ganha participação do eleitor
A fiscalização da propaganda não ficará restrita aos órgãos da Justiça Eleitoral. A partir de 16 de agosto, o aplicativo Pardal estará disponível para o recebimento de denúncias de propaganda eleitoral irregular. O sistema permite que eleitoras e eleitores encaminhem denúncias aos Tribunais Regionais Eleitorais, com autenticação por e-Título ou Gov.br.
A ferramenta amplia a participação da sociedade na fiscalização e cria um canal direto para comunicar possíveis irregularidades.
Entre as regras que precisam ser observadas estão as restrições para utilização de equipamentos de som, distribuição de material, propaganda em bens públicos e particulares e publicidade na internet. Alto-falantes e amplificadores, por exemplo, podem ser utilizados entre 8h e 22h, respeitada a distância mínima de 200 metros de determinados locais, como hospitais, escolas, tribunais, quartéis e sedes dos Poderes.
Comícios podem ocorrer entre 8h e meia-noite, enquanto carreatas, caminhadas, passeatas e distribuição de material gráfico podem ser realizadas até as 22h do dia 3 de outubro, véspera do primeiro turno.
Rádio e televisão entram na disputa no fim de agosto
Embora a propaganda eleitoral geral comece neste domingo, o horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão terá início posteriormente. Para o primeiro turno, a previsão é de veiculação entre 28 de agosto e 1º de outubro. Além dos programas em rede, as emissoras deverão reservar espaço para inserções de 30 e 60 segundos distribuídas ao longo da programação.
A televisão e o rádio continuam, portanto, como instrumentos importantes para ampliar o alcance das campanhas, especialmente entre eleitores que não acompanham diariamente as redes sociais.
Uma eleição para seis escolhas
As Eleições Gerais de 2026 serão realizadas em 4 de outubro, primeiro turno, e, nas disputas majoritárias em que houver necessidade, em 25 de outubro, segundo turno. Serão escolhidos presidente e vice-presidente da República, governadores e vice-governadores, senadores, deputados federais e deputados estaduais ou distritais.
No primeiro turno, o eleitor fará seis escolhas: deputado federal, deputado estadual ou distrital, dois senadores, governador e presidente. A ordem de votação também está definida pelo Tribunal Superior Eleitoral.
Isso significa que a campanha terá diferentes disputas ocorrendo simultaneamente. Enquanto os candidatos ao Executivo deverão apresentar planos de governo mais abrangentes, as campanhas para o Legislativo precisarão explicar ao eleitor qual será o papel de deputados e senadores na formulação das leis, fiscalização do Executivo e definição do orçamento público.
O desafio será transformar discurso em compromisso
Com a campanha oficialmente nas ruas e na internet, o eleitor passa a ter contato direto com uma quantidade crescente de propostas, anúncios, vídeos, debates e manifestações políticas.
O principal desafio, porém, será separar propaganda de compromisso. Segurança, educação e saúde não são temas novos e provavelmente voltarão a aparecer em praticamente todas as campanhas. A diferença estará na capacidade de cada candidatura de apresentar diagnósticos consistentes, metas verificáveis, fontes de financiamento e mecanismos de avaliação.
A eleição de 2026, portanto, começa não apenas como uma disputa por votos, mas como uma oportunidade para que o eleitor cobre respostas para problemas que atravessam diferentes governos e ciclos eleitorais.
Em uma sociedade marcada pela velocidade da informação e pela multiplicação dos canais de comunicação, a responsabilidade também se divide: candidatos terão de apresentar propostas factíveis, partidos precisarão respeitar as regras eleitorais, plataformas deverão cumprir as medidas de conformidade previstas para o período e o eleitor terá papel decisivo ao conferir informações antes de acreditar e compartilhar.
O primeiro turno será em 4 de outubro. Até lá, caberá ao eleitor avaliar não apenas quem promete mais, mas principalmente quem apresenta propostas mais claras, quais são as prioridades anunciadas e de que maneira cada candidatura pretende transformar discurso em ação pública.
*Samuel Arruda é jornalista.

